Como ler:

Abertura


Cronologia da Crise:

anterior | próxima

142
2/10/2005

O jornal Folha de S.Paulo publica entrevista com o ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, afastado do cargo depois de ganhar um jipe Land Rover da empresa GDK, uma contratada da Petrobrás. Ele confessa ao repórter Leonardo Souza ter tido conhecimento do esquema de caixa 2 do PT. Diz Silvinho Pereira:

– Eu assumo a minha responsabilidade política. A minha responsabilidade não é diferente da de nenhum outro dos 21 membros da executiva nacional do PT. O nível de decisão que eu tinha não era diferente do de nenhum dos 21 membros da executiva nacional do PT.

Silvinho evita citar nomes:

– Eu assumo a responsabilidade como membro da direção do PT, em que pese a direção do PT ter realmente a noção do que estava acontecendo. Ninguém é hipócrita de achar que não sabia que existia caixa 2. Qual membro da direção do PT não sabia disso?

O repórter pergunta se o então presidente do partido, José Genoino (PT-SP), sabia do esquema de caixa 2.

– Eu pergunto: qual o membro da alta direção do PT que não poderia supor que pudesse existir?

Sem dar nomes, Silvinho envolve dirigentes de todo o país:

– Os 27 Estados bateram à porta do Delúbio. Por que os Estados não assumem isso, pô? Todo mundo pegava no pé do Delúbio para arrumar recursos, todo mundo, todo mundo. Agora ele está lá, sozinho. As pessoas não perguntavam: “Bom, de onde vem esse dinheiro”?

O ex-secretário-geral admite o acordo PT-PTB na eleições municipais de 2004, pelo qual o partido do presidente Lula ficou de repassar dinheiro de caixa 2 para o partido do ex-deputado Roberto Jefferson. Ele diz que a origem do acordo foi o isolamento da então candidata à reeleição à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy (PT):

– O custo político para trazer o PTB e o PL para a campanha da Marta foi alto. O partido cabeça de chapa tem que arcar com todos os custos.

anterior | próxima | início