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Cronologia da Crise:

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21/10/2005

Técnicos das CPIs dos Correios e do Mensalão apontam indícios de pagamentos regulares do esquema de caixa 2 operado por Delúbio Soares e Marcos Valério ao PL do ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP). Há cheques, depósitos em dinheiro e transferências eletrônicas, ao longo de vários meses. Em fevereiro de 2003, os repasses ao PL foram de R$ 500 mil semanais, em intervalos de oito dias. Dinheiro transferido: R$ 2 milhões. No mês seguinte, depósitos de R$ 300 mil por semana, durante cinco semanas. Dinheiro transferido: R$ 1,5 milhão.

Em junho daquele ano, começou uma operação que funcionou sempre da mesma forma: remessas em três dias consecutivos por semana, perfazendo R$ 200 mil a cada sete dias. O esquema foi até agosto e somou mais R$ 2,4 milhões. Em agosto houve um pagamento avulso, no valor de R$ 100 mil. Total repassado: exatos R$ 6 milhões.

Auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) apura prejuízos de R$ 15,7 milhões em serviços de publicidade contratados pela Secom, a Secretaria de Comunicação da presidência da República, no período em que o então ministro Luiz Gushiken comandava o órgão. Não há quaisquer documentos que atestem a produção de 1,2 milhão de revistas e encartes por parte da agência de publicidade Duda Mendonça Associados, pelos quais o governo desembolsou R$ 3 milhões.

O relatório do TCU aponta superfaturamento de 200% em serviços de publicidade, envolvendo também a agência Matisse Comunicação e Marketing. As duas agências trabalharam com apenas quatro gráficas e os auditores constataram sobrepreços nos serviços de impressão. A agência de Duda apresentou notas fiscais referentes a serviços não executados. A Secom, por sua vez, não dispunha de arquivo com notas fiscais, documentos de remessa de materiais e recibos de entrega do que teria sido produzido pelas agências, mas mesmo assim autorizou os pagamentos.

Em depoimento à Polícia Federal, o deputado José Dirceu (PT-SP) responsabiliza o ex-tesoureiro Delúbio Soares pelo esquema de caixa 2 no PT. Nega que Lula ou qualquer outro integrante do governo, inclusive ele, Dirceu, soubesse da distribuição de dinheiro a parlamentares da base aliada do PT. Depois, Dirceu concede entrevista coletiva:

– Se o presidente Lula decidir se candidatar à reeleição, estarei ao lado dele.

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