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Cronologia da Crise:

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25/10/2005

Depoimento à CPI dos Bingos. É de João Carlos da Rocha Mattos, juiz federal afastado e preso há dois anos sob a acusação de venda de sentenças. Ele presta informações sobre o conteúdo de 42 fitas cassetes que trazem escutas telefônicas gravadas supostamente de forma ilegal pela Polícia Federal, entre janeiro e março de 2002. As fitas reproduzem conversas entre integrantes do PT sobre as investigações do assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel (PT).

Segundo Rocha Mattos, as gravações revelam o desencadeamento de uma “operação abafa” para inviabilizar as apurações a respeito do esquema de corrupção em Santo André. A coordenação teria sido feita por Gilberto Carvalho, o chefe de gabinete do presidente Lula. Quando Daniel foi assassinado, Carvalho era o secretário de Governo da Prefeitura de Santo André.

A acusação mais grave feita pelo juiz afastado é a de que “pessoas da favela Pantanal”, onde o prefeito teria sido mantido em cativeiro antes de ser morto, telefonaram a Carvalho e ao ex-vereador Klinger Luiz de Oliveira (PT), também secretário de Daniel na época, o que envolveria ambos no seqüestro e no assassinato. Diz Rocha Mattos:

– Nas conversas havia a clara impressão de que Celso Daniel era um morto muito pouco querido. Não havia lamentos pela morte, apenas a preocupação em proteger os dirigentes do PT. E fica clara, nas conversas, a preocupação de todos com o que os irmãos do prefeito poderiam declarar.

O juiz afastado menciona Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, que chegou a ser preso sob a acusação de mandar matar Daniel:

– Dá a impressão de que era Gilberto Carvalho que coordenava o esquema de arrecadação. Quando a situação começa a se complicar, o Sombra aparece nas gravações gritando: “Chama o Gilberto aí”.

Rocha Mattos menciona o chefe de segurança das campanhas eleitorais de Lula, o delegado de polícia Francisco Baltazar, que depois ocupou o cargo de superintendente da Polícia Federal em São Paulo. Para Rocha Matos, Baltazar era contra a desgravação das fitas:

– Está claro que havia uma preocupação de abafar as investigações a respeito do assassinato, porque fatalmente os casos de corrupção, de esquema no lixo e nos ônibus, seriam descobertos.

Agora, o juiz preso menciona Ivone Santana, namorada de Daniel, e o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP):

– A Ivone era pressionada pelo Gilberto, pelo Klinger e pelo Greenhalgh, a se portar como uma viúva triste. Eles a cumprimentaram pelo desempenho que teve no programa da Hebe Camargo. Gilberto diz claramente: “Você fez o papel de viuvinha. Muito bom”. A preocupação do Greenhalgh era não deixar a investigação ir muito longe, porque era um problema para eles.

O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Geraldo Majella, afirma estar decepcionado com o resultado das apurações sobre o escândalo do mensalão. Para ele, “parece que não vai dar em nada, a não ser algumas renúncias e poucas cassações”:

– O desgaste é muito grande porque a população quer ver punição para os culpados, mas não é isso que está acontecendo. O que estamos vendo são protelações, evasivas, mentiras, pessoas colocando os seus interesses acima de tudo. É preciso levar todas as denúncias até as últimas conseqüências.

O deputado José Dirceu (PT-SP) obtém vitória no STF (Supremo Tribunal Federal). Liminar proíbe o Conselho de Ética da Câmara de fazer uso de provas obtidas a partir da quebra dos sigilos bancário e telefônico do deputado, no processo disciplinar. A medida adia a tramitação da cassação do mandato de Dirceu.

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