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Cronologia da Crise:

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26/10/2005

A CPI dos Bingos promove acareação entre João Francisco Daniel e Bruno Daniel, os dois irmãos de Celso Daniel, e Gilberto Carvalho, o chefe de gabinete do presidente Lula. Carvalho foi secretário de Governo de Daniel, na Prefeitura de Santo André (SP). Os irmãos acusam Carvalho de dizer, em três ocasiões diferentes, logo após o assassinato de Daniel, que ele mesmo, Carvalho, foi o responsável pelo transporte de dinheiro da propina de Santo André para o então presidente do PT, José Dirceu (PT-SP). O chefe de gabinete de Lula nega. Diz João Francisco:

– Você se esqueceu que, naquele dia em casa, entre um pedaço de bolo de aipim e outro, você não parava de falar? Disse que tinha medo de transportar tanto dinheiro para José Dirceu num Corsa preto?

No início da acareação, João Francisco afirma ter se encontrado com Daniel na véspera do aniversário do prefeito, em 1 de novembro de 2001. O prefeito seria assassinado dois meses depois. Daniel se disse muito preocupado:

– Ele estava muito triste, com problemas na Prefeitura de Santo André, e me disse: “Eu só gostaria de dizer que estou fazendo um dossiê contra Klinger, Ronan e Sérgio”. Aquela declaração dele me deixou preocupado.

João Francisco volta a acusar Carvalho. Refere-se também a Ronan Maria Pinto, o empresário de Santo André acusado de integrar o esquema de corrupção:

– Sinto que o senhor sofre, que sua alma está aprisionada. Em Santo André, o senhor fazia a ligação entre a quadrilha formada por Klinger Luiz de Oliveira, Ronan Maria Pinto e Sérgio Gomes da Silva, com a cúpula do PT em São Paulo.

Agora, o diálogo áspero entre Bruno e Carvalho, a começar com o irmão de Daniel:

– Celso considerava que operar um esquema para financiar campanha era um mal necessário.

– Não posso aceitar que se fale que Celso praticava corrupção, porque ele não está aqui para se defender.

– Há evidências fortes de que havia um esquema de arrecadação de recursos para financiamento de campanhas do PT. Um exemplo disso é o depoimento da antiga empregada de Celso, que relata a existência de recursos no apartamento dele.

– O que me espanta é a distância que vocês tinham do seu irmão. Pelo amor de Deus, como acreditar no depoimento da empregada?

Durante a sessão da CPI dos Bingos, a leitura de trechos das 42 fitas com escutas telefônicas, gravadas após a morte de Daniel. Num diálogo entre o ex-vereador Klinger Luiz de Oliveira (PT) e Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, o primeiro diz que Carvalho vai indicar um advogado criminalista para defender Sombra. Em outra conversa, Carvalho diz a Klinger:

– Ontem, tive uma conversa com o Zé Dirceu... O partido vai entrar meio pesado.

Aqui, Carvalho faz relato a Sombra:

– Marcamos para as 6 horas na casa do Zé Dirceu. Teremos uma conversa. Conversaremos sobre a nossa tática dessa semana. Vamos ter de ir para a contra-ofensiva.

De volta à sessão da CPI dos Bingos, Carvalho afirma não haver condenação contra Sombra:

– Naquele momento, Sérgio era o grande amigo de Celso Daniel. Não há nenhuma prova de que Sérgio tenha mandado matar.

Depois da sessão, o repórter Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo, ouve o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP):

– Acompanhei todo o trabalho da necropsia e ninguém falou em tortura. O Lula me pediu que assumisse a missão de acompanhar toda a investigação. Hoje eu posso garantir que foi mesmo crime comum.

O deputado Josias Quintal (PSB-RJ), relator do processo do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG), um dos acusados de envolvimento no escândalo do mensalão, recomenda ao Conselho de Ética da Câmara a cassação do parlamentar. Assessores de Queiroz, que é presidente do PTB de Minas Gerais, sacaram R$ 350 mil da agência SMPB de Marcos Valério, supostamente repassados a candidatos do PTB nas eleições municipais de 2004. Outros R$ 102 mil foram retirados da siderúrgica Usiminas, mas tampouco foram registrados como contribuição de campanha à Justiça Eleitoral. Trecho do parecer de Quintal:

“A participação do representado nas supramencionadas operações irregulares de repasse de verbas eleitorais e partidárias, mesmo que não realizadas no âmbito do Congresso Nacional, mostra-se suficiente para expor o Legislativo ao descrédito perante uma população já profundamente indignada com a dimensão do escândalo que se desvela e envolve diversos partidos políticos.”

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