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Cronologia da Crise:

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31/10/2005

Deixa o Brasil o diplomata cubano Sérgio Cervantes, apontado como responsável pela entrega de dólares de Cuba para a campanha eleitoral de Lula, em 2002. Viaja sem dar quaisquer esclarecimentos sobre o caso.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) anuncia que vai apurar denúncias segundo as quais o grupo guerrilheiro Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) doou US$ 5 milhões para a campanha do PT em 2002. A revista Veja revelou uma investigação da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) em março de 2005, mas não se encontraram provas do repasse. Para Dias, o caso configura “atentado à soberania nacional” e não está encerrado:

– O governo fez uma operação abafa do caso. Fui procurado por pessoas da área militar que falam dessa conexão internacional. É difícil provar, mas temos de investigar.

O motorista Éder Eustáquio Macedo, acusado de ser o homem que dirigiu o Omega blindado com os dólares de Cuba, ocupa cargo de confiança no gabinete do ministro Antonio Palocci (PT-SP) no Rio de Janeiro. A repórter Elvira Lobato, da Folha de S.Paulo, entrevista funcionários do Ministério da Fazenda no Rio. Eles estranham a contratação de um motorista exclusivamente para atender Palocci no Rio, cidade que pouco freqüenta. Não haveria razão para deixar de usar os serviços dos motoristas de carreira do Ministério. Macedo só trabalha quando convocado.

A empresa Rek, do empresário Roberto Carlos Kurzweil, apontado como o responsável pelo aluguel do Omega da operação Cuba, fez parte de um consórcio que venceu em 1995 uma licitação suspeita de R$ 400 milhões, para implantar e operar, durante 15 anos, o serviço de tratamento de esgotos de Ribeirão Preto (SP). O negócio ocorreu na primeira administração do prefeito Palocci na cidade. Os prazos não foram cumpridos.

Reportagem da Folha de S.Paulo, assinada pelos repórteres José Alberto Bombig e Rogério Pagnan, revela que documentos em poder do Ministério Público trazem novos indícios de contabilidade paralela na segunda administração do prefeito Antonio Palocci (PT-SP), em Ribeirão Preto. Promotores apuraram movimentação financeira não registrada entre a Prefeitura e empresas contratadas. Serviços não realizados teriam sido pagos. No esquema, empreiteiras “laranjas” receberiam dinheiro público e fariam repasses de parte desse dinheiro a terceiros.

A suspeita dos promotores é que o dinheiro do caixa 2 de Ribeirão tenha irrigado a campanha presidencial em 2002. Depois da morte do prefeito Celso Daniel (PT), Palocci foi para a coordenação da campanha de Lula. O Ministério Público concentra as investigações nos projetos Vale dos Rios e Fábricas de Equipamentos Sociais. Consumiram quase R$ 10 milhões naquele ano, mas não foram concluídos. Só no primeiro projeto gastaram-se R$ 2 milhões – e não se assentou nenhum tijolo.

Já no projeto Fábricas de Equipamentos Sociais, a Prefeitura gastou R$ 5,5 milhões para construir um total de 2.049 metros quadrados de obras. A perícia constatou a construção de apenas 1.052 metros. Um dos coordenadores do programa foi Roberto Costa Pinho.

No governo Lula, Pinho assumiu o importante cargo de secretário de Desenvolvimento de Projetos do Ministério da Cultura. Ele conta à CPI do Mensalão que recebeu R$ 300 mil do valerioduto, em quatro parcelas, para prestar assessoria política.

Mas Pinho ficou deprimido depois de exonerado do Ministério da Cultura, no início de 2004, acusado de irregularidades em contratos. E não teve condições de prestar os tais serviços de assessoria política para os quais havia recebido os R$ 300 mil. Ele informa que Delúbio não pediu o dinheiro de volta.

– A secretária dele ligou, disse que Delúbio sabia da minha doença e não faltariam oportunidades para eu prestar serviços ao PT.

Dez mensalões.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirma que o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, têm informações sobre o escândalo do mensalão. Não as revelaram nos depoimentos prestados às CPIs. O senador concede entrevista e sugere que ambos digam tudo o que sabem:

– O Delúbio e o Silvinho preferiram se desligar do PT sem contar tudo.

PSDB e PFL descartam pedido imediato de impeachment para Lula, e decidem poupar o ministro Antonio Palocci (PT-SP). Por enquanto, ele não será chamado a depor nas CPIs que investigam o escândalo do mensalão. Os principais partidos de oposição também reagem com cautela às denúncias sobre a operação Cuba. Diz o presidente do PSDB, o prefeito de São Paulo José Serra:

– Há elementos para uma investigação. Não diria que há elementos para o impeachment, não. E não se trata de ser muito ou pouco cauteloso. Trata-se de ser responsável. Os fatos apontados são gravíssimos e têm de ser investigados para que sejam comprovados ou não.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgìlio (AM) também concede entrevista:

– Impeachment demora um ano ou mais, é o tempo que ele tem para terminar o mandato, e também é um remédio constitucional extremo. O governo dele está tão desmoralizado que não precisa de impeachment. Lula ficará inelegível.

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