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Cronologia da Crise:

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5/10/2005

A comissão de sindicância da Corregedoria da Câmara dos Deputados recomenda ao Conselho de Ética da Casa a abertura de processo de cassação contra 13 deputados acusados de envolvimento no escândalo do mensalão. São eles: João Paulo Cunha (PT-SP), Professor Luizinho (PT-SP), José Mentor (PT-SP), Paulo Rocha (PT-PA), João Magno (PT-MG), Josias Gomes (PT-BA), José Janene (PP-PR), Pedro Corrêa (PP-PE), Vadão Gomes (PP-SP), Pedro Henry (PP-MT), Wanderval Santos (PL-SP), José Borba (PMDB-PR) e Roberto Brant (PFL-MG).

Além deles, os deputados José Dirceu (PT-SP), Romeu Queiroz (PTB-MG) e Sandro Mabel (PL-GO) já sofrem processo de cassação no Conselho de Ética.

Dirceu entra com mandado de segurança no STF (Supremo Tribunal Federal) e pede o arquivamento da representação proposta pelo PTB contra ele. Argumento: os supostos fatos contra Dirceu ocorreram quando o deputado ocupava o cargo de ministro da Casa Civil, e não o mandato parlamentar. Em decorrência, não pode ser cassado por falta de decoro parlamentar.

A CPI dos Bingos faz acareação entre o advogado Rogério Buratti, o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, o empresário de jogos Carlinhos Cachoeira, o diretor da multinacional Gtech Marcelo Rovai e o ex-consultor jurídico da Gtech, Enrico Gianelli. Em pauta, a renovação do contrato entre a Caixa Econômica Federal e a Getch, no valor de R$ 650 milhões, efetivado em abril de 2004. A Gtech acusa Buratti e Waldomiro de tentarem extorquir R$ 6 milhões da empresa, em troca da renovação. Buratti e Waldomiro, afinados, afirmam que a Gtech tentou suborná-los, oferecendo até R$ 16 milhões de propina pelo mesmo contrato.

A sessão é tumultuada e repleta de bate-bocas e xingamentos. Relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) analisou a execução do contrato entre a Caixa e a Gtech, pelo qual a multinacional explorou serviços de loteria, entre abril de 2003 e agosto de 2004. No período foram pagos R$ 408 milhões à Gtech. O relatório concluiu que, do total, R$ 120 milhões representaram um gasto desnecessário, cujo dispêndio não teria acontecido se a renegociação do contrato fosse feita com mais rigor.

Durante a sessão, Rovai afirma que Waldomiro foi até a Gtech em 1 de abril de 2004, para dizer que o contrato só seria assinado com a contratação de um consultor. Não mencionou o nome de ninguém. No dia seguinte apareceu Buratti, que pediu R$ 6 milhões.

Buratti, aos gritos, diz que a afirmação é mentirosa. E garante que Rovai lhe ofereceu de R$ 500 mil a R$ 16 milhões, dependendo do que ficasse definido na renovação do contrato, e depois pagou R$ 6 milhões para a empresa MM Consultoria. Reação de Rovai:

– O senhor recusou R$ 16 milhões? O senhor é tolinho por acaso? O senhor, com a sua biografia, recusou? Quantos ônibus dava para comprar com esse dinheiro?

De acordo com informações da CPI, houve mesmo um pagamento à MM Consultoria, no valor de R$ 5 milhões. Teria havido uma disputa dentro do governo, entre os grupos do Ministério da Casa Civil, representado por Waldomiro, e o do Ministério da Fazenda, cujo expoente era Buratti. De qualquer forma, os R$ 5 milhões teriam sido descontados e transportados do banco num carro-forte.

Depoimento à CPI do Mensalão. É de José Luiz Alves, ex-chefe de gabinete do ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto (PL-MG), eleito prefeito de Uberaba (MG) em 2004. Alves admite ter recebido R$ 200 mil do esquema de Marcos Valério, no Banco Rural. Afirma que o dinheiro foi usado integralmente para pagar dívidas de campanha de 2002, quando Adauto foi candidato a deputado. Informações de Valério dão conta de que Alves sacou R$ 1 milhão de conta da agência de publicidade SMPB.

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