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Cronologia da Crise:

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9/10/2005

O jornal Folha de S.Paulo noticia o resultado de uma investigação da Procuradoria da República no Distrito Federal, sobre uso da máquina pública e tráfico de influência no Ministério da Casa Civil. Os trabalhos foram conduzidos pelo procurador Luciano Sampaio Rolim. Conclusões: Waldomiro Diniz, ex-sub-chefe de assuntos parlamentares e um dos principais auxiliares do ex-ministro José Dirceu (PT-SP), organizou reuniões e audiências para José Carlos Becker de Oliveira, o Zeca Dirceu, filho de Dirceu, com pelo menos sete ministros de Estado e o presidente Lula.

Com o poder que lhe foi atribuído, Zeca, um funcionário de terceiro escalão do governo no Paraná, passou a circular em Brasília acompanhado de prefeitos paranaenses, que viajavam à capital federal para se aproveitar da influência do filho do ministro e obter projetos e recursos para suas cidades.

Em 2004, Zeca foi eleito prefeito de Cruzeiro d’Oeste (PR) pelo PT. Graças ao apoio do pai, incluíram-se pleitos de Zeca em planilhas para execução orçamentária, algumas vezes de forma cifrada com as iniciais “JCB”. Escrevem os repórteres Eduardo Scolese e Rubens Valente:

“Zeca passou a atuar como se fosse um deputado federal, o que lhe garantia publicidade, fotos em capas de jornais e prestígio no interior do Paraná.”

E mais:

“Na pressa em atender o filho do ministro, funcionários do extinto Ministério da Assistência Social montaram, de forma irregular, processos com datas retroativas, o que provocou o comprometimento de recursos relativos a projetos que nem sequer existiam no Ministério.”

Por determinação de Waldomiro Diniz, funcionários da Casa Civil trabalharam para acelerar repasses de interesse de Zeca, apresentando-o como “filho do ministro José Dirceu”, e pedindo “atenção especial” para os projetos que encaminhava. Zeca só precisava telefonar para dizer em quais Ministérios gostaria de ser recebido e as datas das viagens a Brasília.

A investigação identificou um tratamento especial concedido pela então chefe de gabinete da ministra da Assistência Social Benedita da Silva (PT-RJ), Cícera Bezerra de Morais. Os processos relacionados ao filho de Dirceu eram privilegiados. Trecho do depoimento da funcionária Maria de Fátima Gonçalvez, chefe do protocolo do Ministério da Assistência Social:

“Em relação aos processos, Cícera chegou a passar pedaços de papel, sem qualquer timbre ou assinatura, indicando o nome do município e o assunto do convênio, para que a depoente desse origem a um processo, sem nenhuma documentação; que isso era feito para que existisse um número de processo que tornasse possível o empenho (reserva de recursos para pagamento); que tais processos eram empenhados e até mesmo publicados sem que tivessem nos autos ao menos uma folha; que, após a publicação, eram providenciados os documentos necessários à instrução do processo, documentos esses que nem sequer existiam no Ministério.”

Maria de Fátima narrou que exerceu o cargo de chefe do protocolo por nove anos, mas nunca viu alguém sem mandato com tanto poder sobre a liberação de verbas.

– Cheguei a pensar que se tratava do próprio ministro.

Procurado pela reportagem do jornal, Dirceu não se manifesta.

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