Como ler:

Abertura


Cronologia da Crise:

anterior | próxima

182
11/11/2005

Fracassa a operação mata-CPI. Lula chefiou pessoalmente negociações para deputados retirarem assinaturas do requerimento de prorrogação da CPI dos Correios. Mas os trabalhos da comissão são estendidos até abril. Lula queria que as investigações terminassem em dezembro, e não “contaminassem” o ano eleitoral. O Palácio do Planalto chegou a festejar a vitória, ao contabilizar uma queda de 237 para 170 no número de assinaturas a favor da continuação da CPI. 170 nomes significavam um a menos do que o mínimo necessário para prorrogar os trabalhos. Mas a oposição pediu uma recontagem. Descobriu-se que o requerimento tinha o apoio de 171 parlamentares.

De nada valeram as manobras, as promessas de liberação de R$ 1,2 bilhão em emendas parlamentares, as pressões desencadeadas por ministros. O governo montou uma operação de guerra, como a engendrada para eleger Aldo Rebelo (PC doB-SP) na presidência da Câmara dos Deputados. A repórter Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo, descreve a mobilização de auxiliares do presidente:

“Durante todo o dia, uma romaria de deputados entrou e saiu do Palácio. De acordo com interlocutores do Planalto, muitos cobravam o pagamento de emendas que havia sido prometido. O governo tentava mostrar que, aos poucos, as emendas estavam sendo liberadas, era preciso ter paciência. Mas, avisavam que, se o parlamentar decidisse assinar a prorrogação da CPI, podia esquecer o atendimento dos pleitos.”

O jurista Miguel Reale Júnior defende o pedido de impeachment de Lula. Para ele, a operação posta em prática para tentar impedir a prorrogação dos trabalhos da CPI dos Correios é motivo suficiente. Diz Reale Júnior:

– Ficou configurada a compra de deputados para conseguir barrar uma CPI que investiga o governo. O presidente não pode mais comandar a nação.

De acordo com o jurista, Lula mentiu no programa Roda Viva ao dizer que não interferiria nas investigações. Agora, deve ser responsabilizado com a perda do mandato:

– O presidente deixou suas digitais e assumiu o crime. Os deputados que retiraram as assinaturas não foram compelidos por alguma ideologia ou raciocínio específico, mas pelo simples suborno patrocinado pelo governo.

anterior | próxima | início