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Cronologia da Crise:

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17/11/2005

Em depoimento à CPI dos Bingos, Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, empresário e ex-segurança do prefeito Celso Daniel (PT), nega que quatro depósitos em sua conta corrente sejam irregulares. As transferências foram feitas por Luiz Alberto Gabrilli, dono da empresa de ônibus Expresso Guarará. Seriam prova de extorsão e prática de corrupção na Prefeitura de Santo André (SP). A família Gabrilli denunciou que tinha de pagar R$ 550,00 por mês, por cada ônibus que circulava na cidade. Sombra fala de Gabrilli:

– Acho que ele se enganou, pode ter feito um pagamento cruzado, por engano.

Sombra garante, ainda, que só tomou conhecimento dos depósitos de R$ 40 mil, efetuados em 1997, muito recentemente:

– Tinha vários depósitos para receber por serviços de segurança que prestei. Esse dinheiro só fiquei sabendo agora que havia sido depositado por ele em minha conta. Não sei como foi parar na minha conta.

Sombra admite ter emitido notas fiscais referentes aos depósitos, mas em nome do empresário Ronan Maria Pinto. Ele também é acusado de envolvimento no esquema de corrupção.

A quebra do sigilo bancário de Sombra levou ao conhecimento da CPI uma série de cheques assinados pelo ex-segurança de Daniel. Ele deu R$ 182 mil para funcionários da Prefeitura, pessoas ligadas a empresas de lixo e transporte e até para Ivone Santana, a namorada de Daniel. Explicação de Sombra:

– Posso ter emprestado. Acho normal em relação de amizade. Se as pessoas precisam, elas pedem.

Acusado de envolvimento na morte de Daniel, Sombra irrita os senadores ao insistir que não sabe como se abriu a porta do carro em que estava com o prefeito, na hora do seqüestro:

– A porta abriu de repente, do lado do Celso, não sei como.

O promotor Roberto Wider, um dos encarregados do inquérito que apura o esquema de corrupção em Santo André, tem explicação para o dinheiro depositado na conta bancária de Sombra:

– Os empresários tinham de depositar R$ 100 mil por mês para o esquema. Normalmente, era dinheiro em espécie, mas houve um desarranjo do sistema e resolveram depositar na conta do Sérgio.

O presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), suspeita de favorecimento na aplicação de verbas federais de publicidade em benefício do jornal Diário do Grande ABC. Estariam nas mãos de Ronan Maria Pinto 50% das ações. O jornal tem baixa circulação, limitada à região do ABC, na Grande São Paulo. Recebeu R$ 1,4 milhão de verbas da Petrobrás, de janeiro a maio de 2005, antes do escândalo do mensalão.

Dois dos jornais mais importantes do país, a Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, receberam da Petrobrás, no mesmo período, respectivamente, R$ 453 mil e R$ 253 mil.

Suspeita-se também da distribuição de verbas da Caixa Econômica Federal. A estatal destinou R$ 1,3 milhão para o Diário do Grande ABC. Para O Estado de S. Paulo, R$ 693 mil. E à Folha de S.Paulo, R$ 565 mil. Estatais do governo Lula aplicaram R$ 3,8 milhões em publicidade no jornal de Ronan, enquanto gastaram R$ 4,5 milhões na Folha e R$ 4,3 milhões, em O Estado.

Em depoimento à Polícia Civil de São Paulo, a testemunha conhecida como a dona de casa “Y” afirma ter presenciado o seqüestro de Daniel, na zona Sul de São Paulo, da janela da cozinha de casa. Diz que o prefeito foi rendido e forçado a entrar no carro dos criminosos. Enquanto isso, Sombra, que dirigia a luxuosa Pajero de sua propriedade, não foi importunado pelos seqüestradores. Ficou ao lado do carro, conversando no telefone celular.

Depoimento no Conselho de Ética da Câmara. O deputado Wanderval Santos (PL-SP) responsabiliza o ex-deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ) por um saque de R$ 150 mil. A retirada foi feita pelo motorista de Wanderval, Célio Siqueira, no Banco Rural. Era dinheiro do caixa 2 do valerioduto. Rodrigues renunciou ao mandato, após ser acusado de participar do esquema do mensalão.

De acordo com Wanderval, os parlamentares ligados à Igreja Universal do Reino de Deus eram submissos a Rodrigues. Ele costumava se servir dos funcionários dos deputados, como no caso do motorista Siqueira. Ele teria recebido ordens para se deslocar até a agência do Brasília Shopping, pegar um envelope e levá-lo diretamente para a casa de Rodrigues. Diz Wanderval:

– Eu não podia punir o Célio, porque ele cumpriu uma ordem. Ele era usado para fazer compras, levar filho na faculdade, pegar pessoas no aeroporto, sem que precisasse da minha autorização.

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