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Cronologia da Crise:

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18/11/2005

Operações suspeitas indicam que a Caixa Econômica Federal favoreceu o BMG, um dos bancos envolvidos no escândalo do mensalão. O BMG, credor de supostos R$ 29,2 milhões emprestados ao PT e usados no caixa 2 do partido, teve lucro de R$ 209 milhões ao vender à Caixa R$ 1,1 bilhão de sua carteira de empréstimos a aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Se tivesse feito diretamente as operações de empréstimo, a Caixa poderia ter lucrado R$ 696 milhões. Em decorrência das operações com o BMG, os lucros da Caixa, um banco público, ficaram restritos a R$ 346 milhões e, mesmo assim, dinheiro que entrará ao longo de três anos. Do senador Álvaro Dias (PSDB-PR):

– Se a Caixa deixou de ganhar, isso significa que alguém ganhou no lugar dela.

O BMG, banco privado mineiro, já lucrou R$ 210 milhões com a operação, sendo R$ 159 milhões de ágio, uma remuneração pela captação de clientes, já integralmente pagos. Além disso, teve um lucro extra de R$ 51 milhões, obtidos graças à fórmula usada para calcular o saldo devedor dos contratos. Diz o senador Dias:

– Temos razões de sobra para supor que essas operações tenham sido instrumento para calçar os tais empréstimos, que sempre reputamos fictícios, operações meramente contábeis.

De acordo com a repórter Marta Salomon, da Folha de S.Paulo, o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, assinou resoluções com vantagens ao BMG. Escreve a jornalista:

“A cronologia das negociações entre BMG e Caixa revela um negócio fechado às pressas. Entre a proposta formal do banco mineiro e a resolução do conselho diretor da Caixa que autorizou a primeira compra de créditos referentes a empréstimos concedidos a aposentados e pensionistas passaram-se apenas 23 dias.”

E mais:

“A cronologia das operações revela mais um detalhe estranho: a venda de parte da carteira de empréstimos é concretizada apenas três meses depois de o BMG ser autorizado por medida provisória a operar o crédito a aposentados e pensionistas do INSS com desconto em folha, em setembro de 2004.”

Em entrevista coletiva a emissoras de rádio, Lula apóia o ministro Antonio Palocci (PT-SP), alvo de denúncias:

– O meu companheiro ministro Palocci continua tendo de mim toda a consideração que eu tinha antes, tenho agora e vou ter depois. E, se vocês querem que eu diga, eu vou repetir aqui: Palocci é e vai continuar sendo o meu ministro da Fazenda.

O Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), órgão da ONU (Organização das Nações Unidas), divulga o Relatório de Desenvolvimento Humano Brasil 2005 – Racismo, Pobreza e Violência.

O Brasil ocupa o 73º lugar num ranking de 177 países, conforme o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). A tabela compara renda, expectativa de vida ao nascer e educação, fatores considerados fundamentais para a qualidade de vida.

De acordo com o estudo da ONU, se os brasileiros brancos formassem um país, ocupariam o 44º lugar no IDH. Já se fossem considerados apenas os negros, o Brasil estaria na 105ª posição. O relatório dá alguns exemplos: 2,5% dos negros brasileiros estão no ensino superior, ante 11,7% dos brancos. A mortalidade infantil, para cada mil nascidos vivos, é de 22,9 entre os brancos, e atinge 30,7 das crianças negras brasileiras.

Se o Brasil fosse formado apenas pelos brancos que vivem no Distrito Federal, ocuparia o 33º lugar do ranking. No outro extremo, os negros de Alagoas estariam na 122ª posição. O caso mais grave é o da cidade alagoana de Traipu. Ali, a renda média dos negros é de R$ 30,00 por mês. Seriam necessários mil meses – 83 anos de trabalho ininterrupto – para ganhar um mensalão de R$ 30 mil.

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