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Cronologia da Crise:

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2/11/2005

O advogado Rogério Buratti concede entrevista ao repórter Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo, e confirma o teor das declarações dadas à revista Veja sobre a operação Cuba. Explica como soube do dinheiro de Cuba e cita Ralf Barquete, companheiro dele na equipe de auxiliares de Antonio Palocci (PT-SP), na época em que o ministro foi prefeito de Ribeirão Preto (SP) pela primeira vez. No período da suposta doação dos dólares cubanos para a campanha eleitoral de Lula, em 2002, Palocci, além de prefeito pela segunda vez, era um dos coordenadores de Lula:

– Eu fui consultado sobre um processo de ingressos de recursos do exterior, provenientes de Cuba. Agora, se era para a campanha eu não sei. O Ralf me perguntou, dizendo ele que era a pedido do Palocci, se eu conhecia algum método de trazer dinheiro proveniente de Cuba para o Brasil.

– E o que o senhor respondeu para ele?

– Aí eu falei que tem um modelo que é através de doleiros. Tem modelo através do Banco Central, que é por dentro. Depende do que você quer, de como você vai usar os recursos. Só isso.

Barquete mencionou a quantia de US$ 3 milhões. O outro contato de Buratti com Barquete sobre o assunto ocorreu depois de consumada a operação:

– Depois, ele próprio me disse que os recursos teriam vindo. Agora, ele não me contou detalhes, nem eu perguntei.

Buratti não acredita que Barquete tenha mentido:

– Vamos dizer, eu poderia ter sido vítima de uma mentira. Mas eu acredito que não, porque o Ralf não teria mentido para mim.

O TCU (Tribunal de Contas da União) divulga irregularidades em contratos de publicidade e informática mantidos pela Infraero, a estatal federal encarregada da administração de 66 aeroportos no país. Chama a atenção que em 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, os gastos da Infraero com publicidade foram de R$ 2,5 milhões. Em 2004, chegaram a R$ 15,3 milhões.

Foram identificados contratos sem licitação e a ausência de pesquisas de preço para evitar superfaturamentos. A agência de publicidade Signo Comunicação, cujo proprietário, Anderson Pires, tem ligações históricas com o PT, foi contemplada, sozinha, com R$ 10 milhões. Logo após assinar o contrato com a Infraero, em junho de 2004, Pires passou a trabalhar na campanha do candidato a prefeito de João Pessoa, Avenzoar Arruda (PT).

Outra agência de publicidade, a Lew Lara Propaganda, foi contratada por R$ 300 mil, embora os técnicos do TCU não tenham encontrado justificativas para a “emergência” alegada para a falta de licitação. Num contrato de R$ 6,7 milhões com a Connet Informática, foi observada a ausência de pesquisas de preço e de documentos para comprovar a regularidade fiscal da empresa.

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