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Cronologia da Crise:

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22/11/2005

A Polícia Civil de Ribeirão Preto (SP) abre investigação para tentar prender os responsáveis por ameaças a funcionários do Daerp (Departamento de Águas e Esgotos de Ribeirão Preto). Os servidores prestaram depoimentos sobre o esquema de corrupção na gestão do prefeito Antonio Palocci (PT). O Ministério Público ouviu três testemunhas que denunciaram fraudes nos serviços de limpeza pública a cargo da empreiteira Leão Leão, em 2001 e 2002. Elas responsabilizaram Isabel Bordini, a superintendente do Daerp, nomeada por Palocci. Isabel seria a operadora do esquema de desvio de dinheiro público.

Em depoimento à Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, o ministro Palocci chama de “absolutamente inverídica” a acusação de Rogério Buratti, seu ex-secretário de Governo em Ribeirão, segundo a qual recebeu propina de R$ 50 mil por mês da empreiteira Leão Leão, na época em que foi prefeito. Buratti também foi vice-presidente da Leão Leão, empresa contratada pela Prefeitura. O ministro foi questionado por deputados. Eles queriam saber por que Buratti não era processado. Diz Palocci:

– Algumas pessoas estão sofrendo processos não apenas por eventuais falhas ou irregularidades. Sofrem perseguição por terem sido meus assessores no passado.

Para não “conturbar o ambiente político”, Palocci afirma que tampouco irá entrar com ações na Justiça contra os responsáveis pela divulgação das notícias sobre suspeitas de corrupção em Ribeirão:

– Se eu, como ministro da Fazenda, processar um jornalista que falou uma coisa incorreta, processar uma pessoa que fez um depoimento inverídico, vou, de certa forma, utilizar o peso do Ministério contra as investigações.

Em evento realizado em Luziânia (GO), Lula faz outra declaração sobre Palocci:

– Ele está mais firme do que nunca.

Em depoimento à CPI dos Bingos, Paulo Okamotto, presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), responsabiliza o ex-tesoureiro Delúbio Soares por tê-lo orientado a quitar em dinheiro vivo uma dívida de Lula junto ao PT, no valor de R$ 29.436,26.

De acordo com Okamotto, o dinheiro foi usado para Marisa Letícia, mulher de Lula, viajar à China. Também serviu para pagar gastos de Lula com viagens a Cuba e Europa, despesas médicas e um empréstimo de R$ 5 mil. O valor corresponde à remuneração mensal de Okamotto, de “pouco mais de R$ 30 mil”, conforme declaração dele à CPI. Além do salário do Sebrae, Okamotto recebe como integrante do conselho da Brasil-Prev e é aposentado como metalúrgico. Diz Okamotto:

– Não sou um homem de posses.

Para o senador Jefferson Péres (PDT-AM), o episódio mostra a promiscuidade entre público e privado:

– Okamotto fez um favorzão ao presidente e recebe em troca um cargo dos mais cobiçados.

Divulgada pesquisa CNT/Sensus. Para 42,8% dos entrevistados, o presidente participou dos atos de corrupção noticiados pela imprensa. Um total de 72,6% considera que a imagem de Lula foi afetada pelo escândalo do mensalão.

Indiciados pela Polícia Federal David Stival, ex-presidente do PT do Rio Grande do Sul, Marcelino Pies, ex-tesoureiro do partido em Porto Alegre, e Marcos Trindade, militante petista. Todos são acusados de participar da transferência de R$ 1,05 milhão de Marcos Valério para o PT, em 2003. O dinheiro do valerioduto não foi contabilizado pelo partido. No total, o PT gaúcho sacou R$ 1,2 milhão da conta bancária da agência SMPB, sendo que R$ 150 mil teriam acertado despesas gráficas do diretório nacional do PT.

Depoimentos ao Conselho de Ética da Câmara. O presidente do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), e o assessor da liderança do partido, José Cláudio Genu, admitem o recebimento de R$ 700 mil do valerioduto. O dinheiro pagou honorários do advogado do ex-deputado Ronivon Santiago (PP-AC). Eles negam que houve compra de deputados. Explicam que a soma não foi contabilizada porque ficaram aguardando o PT formalizar o que chamam de “auxílios financeiros negociados com o Partido Progressista”.

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