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Cronologia da Crise:

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3/11/2005

A conexão Banco do Brasil e o caso Visanet. A CPI dos Correios anuncia ter desvendado a origem de pelo menos R$ 10 milhões do dinheiro do valerioduto que abasteceu o caixa 2 do PT. É dinheiro público. Em entrevista, o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), divulga documentos para desmontar a versão de que empréstimos bancários foram a fonte exclusiva dos repasses do PT a parlamentares da base aliada.

De acordo com as investigações da CPI, a origem do dinheiro desviado é o Banco do Brasil, por meio de um suspeito pagamento adiantado de publicidade para a divulgação da marca Visanet, uma administradora de cartões de crédito. A Visanet é empresa de direito privado, mas reúne vários bancos, inclusive o Banco do Brasil.

Em operações consideradas atípicas, o Banco do Brasil autorizou, em 2003 e 2004, repasses antecipados à agência de publicidade DNA Propaganda, de Marcos Valério, antes mesmo da aprovação das campanhas publicitárias. A DNA fora escolhida sem licitação, entre as agências que atendem a conta do Banco do Brasil, para cuidar da publicidade da Visanet.

Eis o caminho do dinheiro rastreado pela CPI: em 12 de março de 2004, R$ 35 milhões do Banco do Brasil, que haviam sido transferidos para a Visanet, foram depositados em conta bancária da DNA, no próprio Banco do Brasil. Em 15 de março, três dias depois, a DNA aplicou R$ 34,9 milhões num fundo do Banco do Brasil. Em 22 de abril, após pouco mais de um mês, a DNA transferiu R$ 10 milhões desse dinheiro para o BMG. Detalhe: o favorecido pelo depósito é o próprio BMG. Em 26 de abril, quatro dias depois, o BMG empresta a mesma quantia, isto é, R$ 10 milhões, para a empresa Rogério Lanza Tolentino Associados, que tem sociedade com Valério. O empréstimo, não quitado, é um dos seis listados por Valério como sendo fonte dos recursos do caixa 2 do PT.

A CPI suspeita de outra operação do gênero, ocorrida em 2003, que teria servido para os mesmos fins. É a seguinte: em 19 de maio daquele ano, a Visanet repassou R$ 23,3 milhões para a conta bancária da DNA no Banco do Brasil. No dia seguinte, a DNA aplicou R$ 23,2 milhões num fundo de investimento do Banco do Brasil. Em 26 de maio, uma semana após a primeira operação, a SMPB Comunicação, outra agência de publicidade de Valério, solicita R$ 19 milhões emprestados ao Banco Rural. E esses mesmos R$ 19 milhões correspondem a um dos repasses de Valério ao então tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

As investigações da CPI dos Correios apontam que as operações tiveram o envolvimento do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato. Ele seria o responsável pela criação do sistema de pagamento antecipado de publicidade para a Visanet. Pizzolato, militante histórico do PT, foi afastado do Banco do Brasil depois de identificado como o beneficiário de um saque de R$ 326 mil das contas de Valério. Pouco tempo depois havia comprado um apartamento no Rio de Janeiro, sendo que parte do pagamento do imóvel foi feita com dinheiro vivo.

Pizzolato ficou conhecido quando veio a público uma jogada pela qual o Banco do Brasil desembolsou R$ 70 mil para reservar mesas de um show musical. O objetivo do evento era angariar fundos, a fim de comprar uma nova sede para o PT. O dinheiro teve de ser devolvido. Pizzolato também foi acusado de usar cartão de crédito corporativo, pago com recursos públicos, para saldar despesas com sites pornográficos na internet. Na campanha de Lula, em 2002, recebeu a atribuição de contatar empresários e obter recursos para pagar despesas com a eleição.

Confirmado o uso do avião Seneca na operação Cuba. O empresário José Roberto Colnaghi informa, por meio de nota, ter cedido por empréstimo, em 31 de julho de 2002, o avião de sua propriedade citado na reportagem da revista Veja. Ele se exime de qualquer responsabilidade. Afirma ter apenas autorizado o uso do Seneca. Desconhece se o aparelho serviu para transportar dólares vindos de Cuba para abastecer a campanha de Lula. Colnaghi é amigo do ministro Antonio Palocci (PT-SP), um dos coordenadores da campanha de Lula a presidente da República.

O STF (Supremo Tribunal Federal) decide abrir processo criminal contra o deputado José Janene (PP-PR), um dos acusados de envolvimento no escândalo do mensalão. Ele é suspeito de participar de concorrência superfaturada na Prefeitura de Rolim de Moura (PR). Teria dado R$ 40 milhões em propina a vereadores da cidade, em 1992, para que votassem contra a cassação do mandato do prefeito do município, José Joacil Guimarães.

O prefeito era acusado de participação em concorrência superfaturada. Na época, Janene era sócio-gerente da Eletrojan, que vencera licitação para prestar serviços de iluminação pública em Rolim de Moura. Conforme o Ministério Público Federal, ele queria a permanência do prefeito no cargo, para assegurar o prosseguimento do contrato de iluminação.

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