Como ler:

Abertura


Cronologia da Crise:

anterior | próxima

201
30/11/2005

Cassado o mandato do deputado José Dirceu (PT-SP), acusado de ser o mentor do esquema do mensalão. Com a decisão do plenário da Câmara dos Deputados, por 293 votos a favor e 192 contra, o ex-ministro da Casa Civil, homem-forte do PT e do governo Lula, fica inelegível até 2015. Comentário do jornalista Rogério Gentile, na Folha de S.Paulo:

“Imaginar que Dirceu articulou sozinho o caixa 2 e o esquema da compra de votos de parlamentares e de partidos, sem o conhecimento do presidente, é pior do que acreditar que o tesoureiro Delúbio Soares agiu por conta própria, sem o conhecimento de Dirceu.”

Sobre a relação Lula-Dirceu:

“Os dois sempre foram parceiros, numa relação de amor e ódio. Dirceu é a mão-de-ferro que Lula utilizou para controlar o PT, chegar ao poder e governar o país sem ter de comprometer sua imagem de mito. E Lula é a liderança popular que Dirceu nunca conseguiu ser e usou para se realizar como autoridade.”

“Os dois são cara e coroa, com o perdão do chavão. Se um é culpado, como tudo leva a crer, outro também é. Ambos merecem a punição.”

Em editorial, o jornal argumenta que “o presidente Lula poderia não saber dos detalhes, mas dificilmente desconheceria por inteiro as gravíssimas situações que foram reveladas à sociedade brasileira”:

“A cassação do mandato do deputado José Dirceu é um item relevante da conta paga pelo governo petista para defender o presidente da República de acusações que pudessem desaguar na abertura de um processo de impeachment. Se coube ao ex-tesoureiro Delúbio Soares assumir a responsabilidade operacional sobre os desvios cometidos, foi reservado a Dirceu o papel de arcar com a responsabilidade política.”

Abalado pela crise política e pressionado pelas altas taxas de juros, o PIB (Produto Interno Bruto) cai 1,2% no terceiro trimestre de 2005. O resultado compromete os resultados econômicos, o que se suponha ser o grande trunfo do governo Lula. Análise do jornalista Luís Nassif, na Folha de S.Paulo:

“Essa tem sido a lógica sistemática dos cabeças de planilha do Planalto. Aumentam os juros mais do que o necessário, apreciam o real de forma imprudente, desarticulam o setor de manufaturas e o agrícola.”

Do vice-presidente José Alencar (PL-MG):

– Às vezes, chego inevitavelmente à conclusão de que para tudo que é absolutamente essencial para o Brasil faltam recursos, menos para os juros 10% superiores aos existentes no mercado internacional. Isso é muito sério.

A revista britânica The Economist publica ranking que traz o Brasil como o último colocado entre os chamados países emergentes. O levantamento mostra China, Índia, Argentina e Venezuela com crescimentos superiores a 8% no segundo trimestre de 2005, enquanto o do Brasil foi de 1%. Dados do FMI (Fundo Monetário Internacional) apontam para um crescimento dos países emergentes superior a 6% em 2005, mais que o dobro do Brasil.

anterior | próxima | início