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Cronologia da Crise:

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4/11/2005

O piloto Alécio Fongaro afirma ter sido o condutor do avião Seneca da operação Cuba. Confirma ter transportado Vladimir Poleto, ex-assessor do ministro Antonio Palocci (PT-SP), e três caixas de bebida, em julho de 2002, pilotando a serviço do empresário José Roberto Colnaghi. Diz que durante a viagem só conversou com Poleto para informar-lhe que, devido ao mau tempo, não poderia aterrissar no aeroporto de Congonhas, conforme o planejado, e teria de voar até Viracopos, em Campinas (SP). Tudo conforme a reportagem da revista Veja.

Fongaro revela que, após o pouso, Poleto desceu do avião sem as três caixas, e voltou em alguns minutos para perguntar ao piloto se o Seneca poderia decolar novamente e voar até o aeroporto vizinho de Amarais (SP), viagem de apenas sete minutos. Assim foi feito. Ao contrário de Viracopos, Amarais não está sob controle da administração federal e não é necessário declarar o conteúdo de bagagem. Poleto pôde retirar com tranqüilidade a preciosa carga do avião e colocá-la no Omega blindado que já o esperava. O piloto nunca mais o viu.

A Polícia Federal acusa o DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional) de “criar dificuldades” para o acesso a documentos importantes relacionados às investigações do escândalo do mensalão e das movimentações de dinheiro do publicitário Duda Mendonça no exterior. O DRCI foi criado pelo ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, durante o governo Lula. Para a Polícia Federal, a ação do DRCI causa atrasos e adiamentos nas apurações federais.

O relatório da Polícia Federal acusa Wanine Santana Lima, coordenadora do DRCI, de criar restrições à entrega de documentos a policiais brasileiros em Nova York. Ela teria influenciado autoridades norte-americanas a não repassar os papéis para a Polícia Federal, com o argumento de que informações sigilosas seriam propositadamente vazadas pelos policiais no Brasil. Diz o relatório:

“Enquanto as equipes policiais trabalhavam nas investigações no Brasil e operacionalizavam a ida a Nova York, a representante do DRCI encontrava-se no exterior buscando influenciar as autoridades americanas a não repassar as informações solicitadas às autoridades de investigação constituídas e legitimadas.”

Em sessão sigilosa, a CPI dos Bingos toma depoimento da ex-empregada do prefeito assassinado de Santo André (SP), Celso Daniel (PT). Ela confirma que encontrou três sacolas com dinheiro no apartamento de Daniel. Para o Ministério Público, o depoimento da empregada é indício de que Daniel participou do esquema de cobrança de propina montado na Prefeitura de Santo André.

Outro depoimento cuja identidade é mantida em segredo: um homem afirma ter presenciado o seqüestro de Daniel. Diz ter visto o então prefeito ser “arrancado” do automóvel de Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, “como um animal”. Enquanto isso, Sombra, ex-segurança, suposto amigo de Daniel e acusado de envolvimento no esquema de corrupção de Santo André, mantinha atitude tranqüila. Segundo a testemunha, Sombra mostrava “aparente cumplicidade”.

O Conselho de Ética da Câmara aprova parecer favorável à cassação do mandato do deputado José Dirceu (PT-SP), por envolvimento no escândalo do mensalão. Dos 14 votos, 13 são favoráveis ao relatório do deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que recomenda a perda do mandato de Dirceu. Só a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) vota contra o parecer.

A CGU (Controladoria-Geral da União) envia relatório à CPI dos Correios. Aponta prejuízos de R$ 2,5 milhões nos contratos de publicidade firmados pelos Correios. Para os auditores, as agências de publicidade geraram despesas “adicionais e desnecessárias” à estatal. A CGU responsabiliza a Secom, Secretaria de Comunicação da presidência da República, sob o comando do então ministro Luiz Gushiken, por ter montado comissões de licitação que favoreceram o empresário Marcos Valério. Contrato de R$ 72 milhões com as agências SMPB, Link Bagg Propaganda e Giovanni FCB teria sido superfaturado e provocado perdas de R$ 567 mil.

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