Como ler:

Abertura


Cronologia da Crise:

anterior | próxima

177
6/11/2005

O jornal Folha de S.Paulo noticia que José Roberto Colnaghi emprestou aviões de sua propriedade em várias oportunidades. O empresário cedeu o Seneca que transportou três caixas misteriosas de bebida, acompanhadas por Vladimir Poleto, homem de confiança do ministro Antonio Palocci (PT-SP). Ao invés de bebida, as caixas conteriam supostos dólares de Cuba para a campanha de Lula, em 2002. Colnaghi também emprestou avião a Palocci, já investido no cargo de ministro da Fazenda, em pleno governo Lula, por “cortesia”.

Os repórteres Mario Cesar Carvalho e Catia Seabra citam o vôo de Ribeirão Preto (SP) a Brasília, em 2 de maio de 2004, num jatinho Citation, de Colnaghi. O mesmo avião transportara antes a família de Palocci, de Ribeirão a Brasília, para a solenidade de posse de Lula, em 1 de janeiro de 2003.

Em outra “carona”, de 2003, assessores do ministro abasteceram o Citation com frutas e salgadinhos, para uma viagem do ministro de Ribeirão e Brasília. Palocci foi usuário freqüente do avião de Colnaghi durante a campanha eleitoral de 2002, eventualmente em companhia do então presidente do PT, deputado José Dirceu (PT-SP). Em 2003, em mais uma oportunidade, voou de Brasília a Ribeirão e voltou, no mesmo dia, para a capital federal.

Em nota divulgada pelo Ministério da Fazenda, a assessoria de comunicação de Palocci nega o vôo do ministro no avião Citation de Colnaghi, em 2 de maio de 2004. Segundo o ministro, o vôo ocorreu no final de abril e Palocci usou uma aeronave da FAB (Força Aérea Brasileira). Palocci também desmente a informação de que pegou “carona” no Citation em 2003 e informa, por meio da nota, que conhece Colnaghi, “com quem mantém relações cordiais”. Veremos.

O jornal O Estado de S. Paulo denuncia que a empresa Soft Micro Tecnologia da Informática, do empresário José Roberto Colnaghi, recebeu R$ 12 milhões do Banco do Brasil, por intermédio de um contrato sem concorrência pública. O contrato permitiu levar programas de computador para 139 prefeituras do Estado de Tocantins.

De acordo com o repórter Chico Siqueira, o software da empresa de Colnaghi foi vendido a dezenas de outras prefeituras Brasil afora. Uma delas é Penápolis (SP), onde Colnaghi mora. O negócio acabou na polícia. A administração municipal pagou R$ 1 milhão para alugar computadores do empresário por dois anos. O TCE (Tribunal de Contas do Estado) constatou que a metade do dinheiro seria suficiente para comprar (e não alugar) um número ainda maior de computadores. O prefeito de Penápolis, José Luís dos Santos (PT), recusou-se a cancelar o contrato com Colnaghi.

O ex-presidente do PT, José Genoino, confirma ter viajado com o ministro Antonio Palocci (PT-SP) no jatinho de José Roberto Colnaghi, num vôo de Brasília a Ribeirão Preto. Genoino não comenta o uso do avião de propriedade de um empresário contratado pelo Banco do Brasil, por um ministro de Estado:

– Fiz uma viagem a convite de Palocci. Não vou emitir opinião sobre isso. Só estou confirmando que fiz a viagem a convite dele.

Quem te viu, quem te vê.

anterior | próxima | início