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Cronologia da Crise:

Novembro de 2005

1.11.2005

O Conselho de Ética da Câmara aprova por unanimidade o arquivamento da acusação contra o líder do PL, deputado Sandro Mabel (GO). De acordo com os 14 deputados que julgaram a ação proposta pelo ex-deputado Roberto Jefferson, não há provas do envolvimento de Mabel no escândalo do mensalão.

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2.11.2005

O advogado Rogério Buratti concede entrevista ao repórter Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo, e confirma o teor das declarações dadas à revista Veja sobre a operação Cuba. Explica como soube do dinheiro de Cuba e cita Ralf Barquete, companheiro dele na equipe de auxiliares de Antonio Palocci (PT-SP), na época em que o ministro foi prefeito de Ribeirão Preto (SP) pela primeira vez. No período da suposta doação dos dólares cubanos para a campanha eleitoral de Lula, em 2002, Palocci, além de prefeito pela segunda vez, era um dos coordenadores de Lula:

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3.11.2005

A conexão Banco do Brasil e o caso Visanet. A CPI dos Correios anuncia ter desvendado a origem de pelo menos R$ 10 milhões do dinheiro do valerioduto que abasteceu o caixa 2 do PT. É dinheiro público. Em entrevista, o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), divulga documentos para desmontar a versão de que empréstimos bancários foram a fonte exclusiva dos repasses do PT a parlamentares da base aliada.

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4.11.2005

O piloto Alécio Fongaro afirma ter sido o condutor do avião Seneca da operação Cuba. Confirma ter transportado Vladimir Poleto, ex-assessor do ministro Antonio Palocci (PT-SP), e três caixas de bebida, em julho de 2002, pilotando a serviço do empresário José Roberto Colnaghi. Diz que durante a viagem só conversou com Poleto para informar-lhe que, devido ao mau tempo, não poderia aterrissar no aeroporto de Congonhas, conforme o planejado, e teria de voar até Viracopos, em Campinas (SP). Tudo conforme a reportagem da revista Veja.

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6.11.2005

O jornal Folha de S.Paulo noticia que José Roberto Colnaghi emprestou aviões de sua propriedade em várias oportunidades. O empresário cedeu o Seneca que transportou três caixas misteriosas de bebida, acompanhadas por Vladimir Poleto, homem de confiança do ministro Antonio Palocci (PT-SP). Ao invés de bebida, as caixas conteriam supostos dólares de Cuba para a campanha de Lula, em 2002. Colnaghi também emprestou avião a Palocci, já investido no cargo de ministro da Fazenda, em pleno governo Lula, por “cortesia”.

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7.11.2005

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Lula nega que houve o pagamento de mensalões no Congresso. “Tenho certeza que não teve essa barbaridade”, afirma ele. Por outro lado, explica assim o pronunciamento em que se disse traído por aqueles que usaram caixa 2 nas eleições, o que chamou de “loucura” e “práticas equivocadas”:

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9.11.2005

Lula reúne-se com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com o presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS). Quer impedir a prorrogação dos trabalhos da comissão até abril. Tenta acabar com o desgaste do governo. Depois do encontro, Calheiros derruba a sessão do Congresso na qual seria lido o requerimento que dá mais prazo à CPI. Pede para conferir as assinaturas do documento, antes de lê-lo em plenário. Sem a prorrogação, os trabalhos acabam em 15 de dezembro. Com o adiamento da leitura, Lula ganha tempo para convencer parlamentares a retirar os nomes do documento que estende o prazo das investigações.

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10.11.2005

Relatório parcial da CPI dos Correios pede os indiciamentos de Delúbio Soares e Marcos Valério. A dupla é apontada como operadora de um esquema “acima de leis, Estado e Justiça”. Ambos são acusados por se “dedicarem a subtrair dos cofres públicos recursos que foram destinados a integrantes da base aliada”, e cometer diversos crimes, entre os quais falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, crime eleitoral e improbidade administrativa. Delúbio e Valério são citados por tráfico de influência, crime contra o sistema financeiro, crime contra a ordem tributária, fraude contábil e processual.

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11.11.2005

Fracassa a operação mata-CPI. Lula chefiou pessoalmente negociações para deputados retirarem assinaturas do requerimento de prorrogação da CPI dos Correios. Mas os trabalhos da comissão são estendidos até abril. Lula queria que as investigações terminassem em dezembro, e não “contaminassem” o ano eleitoral. O Palácio do Planalto chegou a festejar a vitória, ao contabilizar uma queda de 237 para 170 no número de assinaturas a favor da continuação da CPI. 170 nomes significavam um a menos do que o mínimo necessário para prorrogar os trabalhos. Mas a oposição pediu uma recontagem. Descobriu-se que o requerimento tinha o apoio de 171 parlamentares.

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12.11.2005

A revista Isto É Dinheiro publica detalhes do depoimento prestado cinco dias antes ao Ministério Público pelo advogado Rogério Buratti, secretário de Governo do primeiro mandato do prefeito Antonio Palocci (PT) em Ribeirão Preto (SP). Contou detalhes de uma operação que teria culminado com a doação de R$ 1 milhão para a campanha eleitoral de Lula. De acordo com Buratti, a contribuição foi feita por dois empresários angolanos, donos de casas de bingo. O episódio teria ocorrido entre outubro e novembro de 2002. Na época, Palocci exercia o seu segundo mandato como prefeito de Ribeirão e era um dos coordenadores da campanha política de Lula.

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16.11.2005

Termina de forma melancólica a CPI do Mensalão. O relator da comissão, deputado Abi-Ackel (PP-MG), ex-ministro da Justiça do governo militar do presidente João Baptista Figueiredo e integrante da base aliada do governo Lula, sequer havia começado a elaborar o relatório final, 48 horas antes do prazo de encerramento. Pior. Ao ser questionado por jornalistas, mostrou-se surpreso, como se não soubesse da data limite. “Vai acabar? Agora que estamos em várias frentes de investigação?”, ousou perguntar. “O relatório está dentro de mim. É só eu ditar para alguém”, afirmou, impassível.

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17.11.2005

Em depoimento à CPI dos Bingos, Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, empresário e ex-segurança do prefeito Celso Daniel (PT), nega que quatro depósitos em sua conta corrente sejam irregulares. As transferências foram feitas por Luiz Alberto Gabrilli, dono da empresa de ônibus Expresso Guarará. Seriam prova de extorsão e prática de corrupção na Prefeitura de Santo André (SP). A família Gabrilli denunciou que tinha de pagar R$ 550,00 por mês, por cada ônibus que circulava na cidade. Sombra fala de Gabrilli:

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18.11.2005

Operações suspeitas indicam que a Caixa Econômica Federal favoreceu o BMG, um dos bancos envolvidos no escândalo do mensalão. O BMG, credor de supostos R$ 29,2 milhões emprestados ao PT e usados no caixa 2 do partido, teve lucro de R$ 209 milhões ao vender à Caixa R$ 1,1 bilhão de sua carteira de empréstimos a aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

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19.11.2005

A revista Isto É Dinheiro publica mais uma denúncia implicando a administração do ex-prefeito Antonio Palocci (PT-SP) em esquema de extorsão e cobrança de propina em Ribeirão Preto (SP). Desta vez, o empresário Márcio Antônio Francisco acusa Nelson Rocha Augusto, secretário de Planejamento de Palocci em Ribeirão. Ele teria cobrado uma comissão para o esquema político do ex-prefeito. Segundo Francisco, Augusto, nomeado no governo Lula para a presidência da BB-DTVM, a corretora de títulos e valores do Banco do Brasil, havia manifestado interesse em ser o intermediário, em Ribeirão, de uma operação de crédito junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Em troca, pediu um “pedágio” de 50%.

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20.11.2005

O jornal Folha de S.Paulo traz reportagem assinada pelo jornalista Rogério Pagnan. Relata que documentos em poder do Ministério Público indicam uma movimentação de até R$ 400 mil mensais pelo suposto esquema de corrupção em Ribeirão Preto (SP), na segunda gestão do prefeito Antonio Palocci (PT), em 2001 e 2002. Suspeita-se de desvio dos cofres públicos.

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21.11.2005

Em solenidade no Palácio do Planalto, Lula volta a defender o ministro Antonio Palocci (PT-SP):

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22.11.2005

A Polícia Civil de Ribeirão Preto (SP) abre investigação para tentar prender os responsáveis por ameaças a funcionários do Daerp (Departamento de Águas e Esgotos de Ribeirão Preto). Os servidores prestaram depoimentos sobre o esquema de corrupção na gestão do prefeito Antonio Palocci (PT). O Ministério Público ouviu três testemunhas que denunciaram fraudes nos serviços de limpeza pública a cargo da empreiteira Leão Leão, em 2001 e 2002. Elas responsabilizaram Isabel Bordini, a superintendente do Daerp, nomeada por Palocci. Isabel seria a operadora do esquema de desvio de dinheiro público.

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23.11.2005

Em depoimento à CPI dos Bingos, Rosângela Gabrilli, proprietária da empresa de ônibus Expresso Guarará, afirma que Lula recebeu informação, em 2003, sobre o esquema de extorsão montado pelo PT em Santo André (SP). As operações irregulares teriam continuado após a morte do prefeito Celso Daniel (PT), em 2002. O relato da situação foi feito a Lula pela irmã de Rosângela, Mara Gabrilli, num encontro de 20 minutos no apartamento de Lula, em São Bernardo do Campo (SP).

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24.11.2005

Em entrevista concedida no Palácio do Planalto a quatro emissoras de rádio de São Paulo e do Rio, Lula mostra-se alheio às graves denúncias contra o PT e integrantes de seu governo. As pérolas do presidente:

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25.11.2005

Em visita ao Ceará, Lula é recebido por manifestantes que fazem protesto contra o escândalo do mensalão. A imprensa destaca a participação da aposentada Maria de Lurdes de Paula, de 76 anos, com o rosto pintado e chapéu de palha com as inscrições “fora Lula”. Declaração dela:

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26.11.2005

A revista Época publica reportagem apontando suspeitas de fraude no contrato de publicidade entre a SMPB e a Câmara dos Deputados, assinado e executado no período em que a Casa foi presidida pelo deputado João Paulo Cunha (PT-SP). A matéria relata o afastamento do advogado Alexis de Paula Souza, secretário de Controle Interno da Câmara. Ele pediu para sair porque vinha sofrendo pressões, sanções e a perda de atribuições, depois de ter examinado o contrato de publicidade de R$ 10,7 milhões com a empresa de Marcos Valério.

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28.11.2005

A CPI dos Correios descobre seis transferências da corretora Bônus-Banval, num total de R$ 154 mil, para Rosa Alice Valente, assessora do líder do PP na Câmara, o deputado José Janene (PR). A Bônus-Banval, como se sabe, é apontada como intermediária de repasses de Marcos Valério para beneficiários do mensalão. Um dos diretores da corretora, Enivaldo Quadrado, também transferiu R$ 11.628,00 para Rosa Alice Valente.

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29.11.2005

Em depoimento repleto de evasivas à CPI dos Bingos, Ademirson Ariosvaldo da Silva, secretário particular de Antonio Palocci (PT-SP), nega quaisquer irregularidades no relacionamento com integrantes da chamada “república de Ribeirão Preto”, todos igualmente ligados a Palocci. Ademirson convive com Palocci há 18 anos. Os nomes citados: Rogério Buratti, Vladimir Poleto, Juscelino Dourado e Ralf Barquete, morto em 2004. Reações de Ademirson a questionamentos feitos durante a sessão da CPI:

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30.11.2005

Cassado o mandato do deputado José Dirceu (PT-SP), acusado de ser o mentor do esquema do mensalão. Com a decisão do plenário da Câmara dos Deputados, por 293 votos a favor e 192 contra, o ex-ministro da Casa Civil, homem-forte do PT e do governo Lula, fica inelegível até 2015. Comentário do jornalista Rogério Gentile, na Folha de S.Paulo:

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1.12.2005

A Petrobrás prorroga o contrato com o publicitário Duda Mendonça. Quase quatro meses depois de Duda admitir que recebeu R$ 10,5 milhões por meio do caixa 2 do PT na offshore Dusseldorf, nas Bahamas, em pagamento por serviços prestados à campanha eleitoral que elegeu Lula em 2002, a Petrobrás anuncia a prorrogação de contratos de publicidade, no valor de R$ 212 milhões anuais. Os serviços continuarão a ser prestados pelo mesmo pool de agências, o que inclui a Duda Mendonça Associados. Caberá a Duda administrar R$ 63 milhões até o fim do governo Lula.

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