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Cronologia da Crise:

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6/12/2005

48 horas depois do caso Coteminas ganhar as manchetes de jornal, Delúbio Soares vem a público assumir a responsabilidade sobre tudo. Em nota divulgada por seu advogado, o ex-tesoureiro afirma que o R$ 1 milhão entregue à Coteminas fazia parte de uma reserva do caixa 2 do PT, alimentado por Marcos Valério. No dia em que o escândalo foi divulgado, Delúbio sugerira que o dinheiro não tinha origem nos repasses de Valério. Diz a nota com a nova versão de Delúbio:

“Quando perguntado sobre esse pagamento, lembrei-me de sua ocorrência, mas me equivoquei, achando que tinha sido feito com recursos contabilizados. Na verdade o pagamento foi feito em espécie, com dinheiro que tinha origem nos empréstimos feitos por Marcos Valério ao Partido dos Trabalhadores. Trata-se de parte do valor que, daqueles empréstimos, foi reservado para despesas do diretório nacional do partido.”

Muito bem. Digamos que o R$ 1 milhão entregue à Coteminas era mesmo parte dos tais R$ 55,8 milhões atribuídos ao caixa 2. O último dinheiro desse esquema, conforme a versão de Delúbio e Valério, foi repassado ao PT em 1 de outubro de 2004. Fica difícil acreditar que o R$ 1 milhão estivesse guardado no cofre do PT, por mais de sete meses, até o pagamento ser realizado à Coteminas, em maio de 2005. E, se estivesse mesmo guardado no cofre, não haveria explicação para o PT não ter quitado anteriormente parte da dívida junto à Coteminas, uma vez que os compromissos assumidos com a empresa venceram entre novembro de 2004 e janeiro de 2005.

Tampouco faz sentido a outra afirmação de Delúbio na mesma nota, segundo a qual “novas dificuldades financeiras” teriam impedido que as parcelas fossem “honradas na forma acordada”. Ora, se o dinheiro já estava em caixa, as parcelas poderiam ser honradas sem problemas. Gustavo Fruet (PSDB-PR), sub-relator da CPI dos Correios, irrita-se com Delúbio:

– Juridicamente, a nota pode evitar questionamentos, tiveram tempo para prepará-la. Mas, politicamente, é um desastre, isso é uma ofensa à inteligência, mais uma história inverossímil na sucessão de histórias inverossímeis.

Valério procura não se envolver com a versão de Delúbio:

– Não posso falar que ele está mentindo ou falando a verdade. O dinheiro era do Delúbio, não sei o que ele fez com ele.

O novo tesoureiro do PT, Paulo Ferreira,