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Cronologia da Crise:

Dezembro de 2005

1.12.2005

A Petrobrás prorroga o contrato com o publicitário Duda Mendonça. Quase quatro meses depois de Duda admitir que recebeu R$ 10,5 milhões por meio do caixa 2 do PT na offshore Dusseldorf, nas Bahamas, em pagamento por serviços prestados à campanha eleitoral que elegeu Lula em 2002, a Petrobrás anuncia a prorrogação de contratos de publicidade, no valor de R$ 212 milhões anuais. Os serviços continuarão a ser prestados pelo mesmo pool de agências, o que inclui a Duda Mendonça Associados. Caberá a Duda administrar R$ 63 milhões até o fim do governo Lula.

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4.12.2005

O caso Coteminas. O jornal Folha de S.Paulo traz informações segundo as quais o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, ligado ao Ministério da Fazenda) identificou um depósito de R$ 1 milhão, em dinheiro, em nome do PT, na conta bancária da Coteminas (Companhia de Tecidos Norte de Minas), cujo dono é o vice-presidente da República, José Alencar (PL-MG).

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5.12.2005

Repercute o caso Coteminas. Para o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), o pagamento de R$ 1 milhão, em dinheiro vivo, à empresa do vice-presidente José Alencar (PL-MG), tem origem em caixa 2. Diz Serraglio:

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6.12.2005

48 horas depois do caso Coteminas ganhar as manchetes de jornal, Delúbio Soares vem a público assumir a responsabilidade sobre tudo. Em nota divulgada por seu advogado, o ex-tesoureiro afirma que o R$ 1 milhão entregue à Coteminas fazia parte de uma reserva do caixa 2 do PT, alimentado por Marcos Valério. No dia em que o escândalo foi divulgado, Delúbio sugerira que o dinheiro não tinha origem nos repasses de Valério. Diz a nota com a nova versão de Delúbio:

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7.12.2005

Em entrevista à revista Fórum, ligada ao Fórum Social Mundial, o ex-deputado José Dirceu (PT-SP) responde se teve problemas pessoais com o presidente Lula:

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8.12.2005

Em depoimento à CPI dos Bingos, Carlos Roberto Godinho, ex-superintendente do Banco Rural, confirma informações prestadas à revista Época. Segundo ele, os empréstimos do Banco Rural a Marcos Valério, em fevereiro e setembro de 2003, num total de R$ 28,8 milhões, foram operações “de fachada”, negócios “feitos para não serem pagos”, com a finalidade estratégica de “maquiar” outras fontes de recursos.

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9.12.2005

Em depoimento à Polícia Federal, Delúbio Soares é questionado sobre o R$ 1 milhão usado para pagar parte da dívida do PT junto à Coteminas. Segundo o ex-tesoureiro, o dinheiro ficava guardado em cofre na sede nacional do partido, em São Paulo. Delúbio diz que o dinheiro permaneceu o tempo todo no cofre, sem aplicação financeira, pois estava fora da contabilidade oficial do PT.

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10.12.2005

A revista Veja informa que a Coteminas, empresa do vice-presidente José Alencar (PL-MG), crítico contumaz da política de juros do governo Lula, vem obtendo empréstimos do governo federal, na administração Lula, com juros favorecidos. Entre 2003 e 2005, a Coteminas tomou R$ 421 milhões em empréstimos subsidiados, por meio de crédito rural e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). No primeiro caso, pagou juros anuais de 8,7%. No segundo, de 12,3% e de 14%. Se tivesse pago as taxas normais de mercado, o desembolso da empresa de Alencar teria sido superior a 30% anuais.

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11.12.2005

O jornal Folha de S.Paulo conta a história do relacionamento do PT com a Santorine Comercial e Distribuidora, uma empresa do ramo atacadista de alimentos e bebidas, à qual o partido teria repassado R$ 795 mil pela fabricação de 267 mil faixas plásticas e 675 mil bandeirinhas para a campanha de Lula em 2002.

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12.12.2005

A CPI dos Correios desvenda mais um tentáculo do caso Visanet. Recapitula-se uma das operações do esquema: R$ 34,8 milhões saíram do Banco do Brasil em 12 de março de 2004, sob pretexto de adiantamento de verbas de publicidade para a DNA. O dinheiro foi depositado numa aplicação da agência de Marcos Valério no Banco do Brasil e, de lá, saíram R$ 10 milhões para o BMG. Em seguida, os R$ 10 milhões foram usados formalmente para um empréstimo para a Tolentino Associados, ligada a Valério.

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13.12.2005

Em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, o deputado Wanderval Santos (PL-SP), acusado de retirar R$ 150 mil do valerioduto, responsabiliza o ex-deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ) pelo saque. Wanderval admite ter sido sócio de Rodrigues em empresas radiofônicas. Rodrigues renunciou ao mandato de deputado em conseqüência do escândalo do mensalão.

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14.12.2005

A Câmara dos Deputados absolve o primeiro mensaleiro, cuja cassação fora recomendada pelo Conselho de Ética. Trata-se do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG), acusado de mandar um assessor sacar R$ 350 mil do esquema de Marcos Valério, e de ter recebido outros R$ 102 mil não contabilizados da empresa siderúrgica Usiminas, por intermédio da SMPB, uma das agências de publicidade de Valério.

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15.12.2005

O Tribunal Regional Federal condena o juiz federal João Carlos da Rocha Mattos a três anos e meio de reclusão, por abuso de poder e extravio de provas de processo. Ele é sentenciado por destruir 42 fitas com escutas telefônicas relacionadas à investigação do assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel (PT), em 2002. O juiz já havia sido condenado por negociar sentenças e por formação de quadrilha.

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16.12.2005

O governo Lula cria 5.199 cargos na administração federal. Do total, 4.225 são para nomeação de funcionários que prestaram concurso público ou foram remanejados de outras áreas, e 974 destinados para cargos em comissão ou gratificação, abertos a pessoas de fora da máquina pública. Ou seja, para nomeações políticas. Estima-se gastos de R$ 4,6 milhões anuais com os novos cargos. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT-PR), garante que os empregos federais atendem a antigas reivindicações, e haverá um cronograma para preenchê-los. Brinca:

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18.12.2005

Em entrevista ao Jornal do Brasil, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) acusa os fundos de pensão de serem os responsáveis pelo abastecimento das contas bancárias de Marcos Valério. Ele cita suposta aplicação “malfeita” no Banco Santos, no valor de R$ 150 milhões, referente ao Real Grandeza. O fundo pertence aos funcionários de Furnas. Jefferson acusa o deputado Jorge Bittar (PT-RJ) de ter indicado um presidente do Real Grandeza. Diz Jefferson:

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19.12.2005

A CPI dos Correios investiga se fundos de pensão fizeram operações de última hora para tentar salvar o Banco Santos no final de 2004, seguindo orientação política. Estão sob suspeita aplicações efetuadas nas duas semanas anteriores à intervenção do Banco Central, todas consideradas atípicas e fora de padrão. Os investimentos seriam questionáveis porque havia fortes rumores sobre a falta de liquidez do Banco Santos no mercado, várias semanas antes da intervenção. Não tinha sentido fazer investimentos no Banco Santos naquele momento.

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20.12.2005

Na véspera da anunciada divulgação do relatório preliminar da CPI dos Correios, o empresário Marcos Valério vem a público dizer que recorreu à Justiça. Quer receber R$ 100 milhões do PT. Alega que o dinheiro foi emprestado ao partido, sendo R$ 55,8 milhões da dívida original e os outros R$ 44,2 milhões de juros, atualização monetária e encargos financeiros.

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21.12.2005

A CPI dos Correios divulga relatório preliminar. Em 411 páginas, o balanço de seis meses de trabalho. De acordo com o relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), o mensalão existiu de quatro formas. A primeira delas serviu para fazer repasses semanais de dinheiro. Vinha de contas de Marcos Valério e ia para a corretora Garanhuns. O destino final, o PL. No primeiro ano da administração Lula, em 2003, foram 24 transferências para o PL, todas entre R$ 200 mil e R$ 500 mil. Ocorreram nos dias 11, 19 e 26 de fevereiro. Em março, nos dias 6, 12, 17, 24 e 31. E em junho nos dias 4, 11, 15 e 18. O último repasse foi em 27 de agosto de 2003. Total: R$ 6,5 milhões. Ironiza Serraglio:

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26.12.2005

O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Roberto Busato, fala ao jornal Folha de S.Paulo. Para ele, o processo de impeachment de Lula é uma hipótese, e depende da conclusão das investigações da CPI dos Correios. Diz Busato:

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28.12.2005

Divulgado relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, do Ministério da Fazenda) com o registro de “operações atípicas”, no valor de R$ 93 mil, em nome de Paulo Okamotto. Ele é amigo do presidente Lula, e foi nomeado por Lula presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Okamotto apresentou-se como quem, de forma espontânea, resolveu pagar uma dívida de Lula junto ao PT, no valor de R$ 29.436,26.

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29.12.2005

O Tribunal de Justiça de Goiás determina a indisponibilidade do carro registrado em nome do ex-tesoureiro Delúbio Soares. É um Omega blindado, importado, ano 2000. A deputada Neyde Aparecida (PT-GO) também fica sem o Fiat modelo Palio Weekend, ano 2004. A decisão do juiz Ari Ferreira de Queiroz inclui ainda outros dois veículos, propriedades de Noeme Diná Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Goiás. A deputada Neyde também presidiu a entidade.

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1.01.2006

Desliga-se do PT Francisco Whitaker, integrante da Comissão de Justiça e Paz da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). “O PT foi um sonho que desmoronou”, resume Chico Whitaker, ao comentar o conteúdo da carta entregue por ele à direção do partido:

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