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Cronologia da Crise:

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1/01/2006

Desliga-se do PT Francisco Whitaker, integrante da Comissão de Justiça e Paz da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). “O PT foi um sonho que desmoronou”, resume Chico Whitaker, ao comentar o conteúdo da carta entregue por ele à direção do partido:

“Ao deixar-se infectar, profundamente, por todas as mazelas do mundo político, o atual PT levou de roldão o partido de tipo novo que procurávamos construir. Hoje ele não está voltado para a sociedade injustiçada, para ouvi-la e procurar responder aos seus anseios.”

Lula volta a exercer o papel de vítima. Em entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, diz que as denúncias de corrupção o atingiram como uma “facada nas costas”. Alguns trechos da entrevista ao repórter Pedro Bial:

– O PT vai sangrar muito para poder se colocar diante da sociedade outra vez.

Lula não dá nomes, mais uma vez. Quer fazer crer que tudo acontecia sem o seu conhecimento:

– Com relação à minha pessoa, a única coisa que eu peço a Deus é que, quando terminar tudo isso, aqueles que me acusaram peçam desculpas. Só peço isso. Não quero, não quero nada mais do que isso. Peçam desculpas.

Como não sabia o que se passava? E a ligação estreita com o tesoureiro Delúbio Soares?

– O que é importante... O que é importante não é se você sabia ou não, porque, se eu tivesse condições de saber, não teria acontecido. Esse é o dado concreto. Seu eu tivesse condições de saber, não teria acontecido. Na medida em que eu soube, naquilo que diz respeito ao presidente da República, as providências todas foram tomadas. Foi afastado quem deveria ser afastado. Foi punido quem deveria ser punido. Agora, a Justiça faça a sua parte. E, no caso do PT, o PT fez a sua parte.

Entrevista publicada na Folha de S.Paulo. Para o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), é “lógico” supor que o presidente soubesse o que se passava em sua administração, pois deveria receber informações de seu ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT-SP). Afinal, Lula concedeu-lhe a delegação para atuar como primeiro-ministro de seu governo. Serraglio falou ao repórter Rubens Valente:

– Ele deveria saber, tanto por querer saber quanto pelo delegado vir prestar contas, quem atua deve esclarecer. Agora, tanto ele pode não ter cobrado, quanto o outro não ter prestado contas. No estilo assim: “Está correndo bem, não quero saber”. Acho que ele deveria saber de tudo, mas não posso dizer que soubesse.

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