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Cronologia da Crise:

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10/01/2006

Depoimento à CPI dos Correios. Antonio Gustavo Rodrigues, presidente do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, do Ministério da Fazenda), afirma que o Ministério da Justiça lhe comunicou com atraso a existência da segunda conta do publicitário Duda Mendonça em Miami.

Suspeita-se que o Ministério já dispunha da informação desde novembro de 2005. O presidente do Coaf o soube informalmente quatro dias antes de seu depoimento à CPI. Oficialmente, um dia antes. Do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP):

– O Ministério da Justiça está agindo de maneira diversionista. Só avisou ao Coaf no final da tarde de sexta-feira, quando a matéria da Veja já estava pronta.

A CPI dos Correios desconhece os caminhos de R$ 6 bilhões movimentados em contas bancárias suspeitas de participar do esquema do mensalão. Não há informações sobre a origem de R$ 3 bilhões que abasteceram essas contas, nem tampouco se sabe quem foram os beneficiários de outros R$ 3 bilhões. Os números referem-se aos depositantes e favorecidos não identificados em operações que envolveram agências do Banco Real – ABN Amro. Eis a lista de algumas das empresas supostamente envolvidas e os respectivos valores movimentados no banco: Visanet (R$ 3,6 bilhões), Skymaster Airlines (R$ 1,1 bilhão), Telemig Celular (R$ 866,9 milhões) e Amazônia Celular (R$ 237,4 milhões).

A comissão também investiga R$ 75,9 milhões em perdas de 13 fundos de pensão com títulos públicos, e a eventual relação dessas perdas com ganhos proporcionais de corretoras de valores ligadas ao valerioduto. A Prece (dos funcionários da empresa de saneamento do Rio) teve perdas de R$ 35,7 milhões. A Nucleos (das estatais de energia nuclear), de R$ 28,3 milhões.

Em 2005, a Prece aplicou R$ 29,5 milhões no Banco Rural. Os depósitos bancários de longo prazo no Rural, naquele período, eram classificados como de alto risco. As operações que provocaram perdas para a Prece concentraram-se em dez corretoras, incluindo a Bônus-Banval, acusada de envolvimento no escândalo do mensalão, e a Laeta, ligada a Lúcio Funaro, suspeito de operações de lavagem de dinheiro.

Não se sabe a origem nem o destino de R$ 69,8 milhões movimentados pelo doleiro Najun Turner, em contas do Banco Real. Ele é investigado pela CPI desde que o seu nome e o de familiares apareceram como beneficiários de recursos da corretora Natimar, apontada como tendo ligações com a Bônus-Banval.

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