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Cronologia da Crise:

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14/01/2006

A revista Isto É publica a reportagem “Peixe grande na rede do Ocean Bank”, para se referir a uma nova conta bancária secreta, cujo beneficiário seria o publicitário Duda Mendonça. Foi descoberta em Miami, nos Estados Unidos. De acordo com os repórteres Gilberto Nascimento e Osmar Freitas Jr., a conta guardaria cerca de US$ 2,2 milhões em nome de uma empresa não revelada. Teria sido a destinatária de uma remessa de US$ 400 mil em março de 2002, por meio da casa de câmbio Disk Line, com sede em São Paulo. Os doleiros Dario Messer e Helio Laniado teriam utilizado a casa de câmbio.

Duda também é destaque na revista Veja. Reportagens de Alexandre Oltramari, Julia Duailibi, Otávio Cabral e Juliana Linhares lembram que no começo do governo Lula, antes do escândalo do mensalão, o marqueteiro era uma espécie de conselheiro do presidente, com quem se reunia ao menos uma vez por mês. Na época, a casa cinematográfica de Duda na praia de Taipus de Fora (BA), na península de Maraú, com valor estimado de US$ 5 milhões, foi local de descanso para estrelas do PT. Passaram por lá os três integrantes do “núcleo duro” de Lula, os ministros José Dirceu, Luiz Gushiken e Antonio Palocci. Veja define Duda:

“Ele está envolvido com superfaturamento de contratos com órgãos públicos, remessas ilegais de dinheiro para o exterior, contas secretas em paraísos fiscais, sonegação de impostos e crime eleitoral. Pode-se creditar à sua genialidade a invenção de uma nova categoria da propaganda – o marketing bandido. É nessa modalidade que ele é um grande especialista.”

Veja informa que Duda já era um publicitário rico quando começou a trabalhar para o PT, em 2002. Tinha uma fortuna pessoal avaliada em R$ 6,8 milhões. A revista prossegue:

“Com o novo governo, seu patrimônio declarado deu um salto espantoso. Dono de quatro empresas, quatro fazendas, quatro terrenos, obras de arte, jóias, três carros (um deles blindado), uma lancha, 8.119 cabeças de gado, 17 jumentos, um trator e R$ 5 milhões aplicados no banco, seu patrimônio pessoal dobrou, atingindo R$ 13 milhões no fim de 2004. Mágica? Não. A empresa de Duda ganhou três contas importantes e milionárias no governo – Petrobrás, Ministério da Saúde e presidência da República. Para a Duda Mendonça Associados, a principal empresa do publicitário, o governo petista foi muito bom. Seu faturamento aumentou de R$ 4,7 milhões em 2002 para R$ 43,3 milhões em 2004 – um crescimento de 820%, que multiplicou os lucros do marqueteiro e por conseqüência, seu patrimônio pessoal. Deve-se ressaltar que nessa fortuna não estão incluídos os milhões que Duda recebeu no exterior, o que permite concluir que seu patrimônio é infinitamente maior.”

O jornal O Estado de S.Paulo destaca levantamento de técnicos da CPI dos Correios, segundo o qual quatro contas bancárias de Duda no BankBoston, todas em nome de empresas suas, receberam R$ 701 milhões. A maior parte dos depósitos ocorreu depois de 2003. Há um número considerável de depositantes sem identificação. A reportagem de Diego Escosteguy refere-se a uma suspeita sobre outros R$ 377 milhões. O dinheiro saiu das contas de Duda no BankBoston, sem identificação dos destinatários.

A revista Época traz notícia sobre relatório preliminar do TCU (Tribunal de Contas da União), com pedido à Procuradoria-Geral da República para a abertura de processo por crime de improbidade administrativa contra Lula e outros seis auxiliares do seu governo. Motivo: a distribuição de uma carta, em 2004, aos segurados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O documento foi assinado por Lula e pelo ministro da Previdência Social, Amir Lando (PMDB-RO). Serviu para propagar uma suposta vantagem do crédito consignado. A medida teria favorecido o BMG, líder nacional de empréstimos em folha de pagamento.

Época informa que a história “esquisita” terminou com a interrupção da entrega das cartas. De acordo com a reportagem de Thomas Traumann, abriu-se auditoria para apurar irregularidades e destruíram-se 510 mil cartas, numa operação de prejuízos calculados em R$ 9,5 milhões. A carta mencionando o serviço de crédito e o desconto em folha aos aposentados é suspeita de ter servido como propaganda privada do BMG.

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