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Cronologia da Crise:

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18/01/2006

A CPI dos Bingos decide quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico de Paulo Okamotto, o presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Amigo do presidente, assumiu ter quitado a dívida de Lula junto ao PT, no valor de R$ 29.436,26. Mas não explicou detalhes do acerto. Suspeita-se que o dinheiro tenha vindo de caixa 2, do esquema de Marcos Valério.

Em outra frente, a CPI dos Bingos apresenta relatório preliminar sobre o caso Caixa Econômica Federal/Gtech, que investiga o contrato de R$ 650 milhões assinado entre a estatal do governo brasileiro e a multinacional norte-americana.

O relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), solicita o indiciamento de três empresas e 34 pessoas. Entre elas, o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, e o secretário particular do ministro Antonio Palocci (PT-SP), Ademirson Ariosvaldo da Silva. Fazem parte da lista Waldomiro Diniz, assessor do então ministro José Dirceu (PT-SP), e os assessores de Palocci na época em que o ministro foi prefeito de Ribeirão, Rogério Buratti e Vladimir Poleto.

Para Garibaldi, há indícios de que os grupos liderados pelos ministros Palocci e Dirceu disputaram a propina da Gtech. Ele quer a punição de todos os envolvidos, por formação de quadrilha, corrupção passiva, crime contra o procedimento licitatório e improbidade administrativa. O relator acrescenta os crimes de falsidade ideológica e tráfico de influência para Poleto, e os de lavagem de dinheiro e contra a ordem tributária para Buratti.

Também existem pedidos de indiciamento para Marcelo Rovai e Antonio Carlos Lino da Rocha, o ex-diretor e o ex-presidente da Gtech. Segundo eles, Waldomiro Diniz e Buratti tentaram extorquir R$ 6 milhões da multinacional, para permitir a renovação do contrato. Buratti nega. Diz que a Gtech ofereceu até R$ 16 milhões em propina para renovar o contrato de operações de loterias com a Caixa. Mesmo com todo o rolo, o contrato foi assinado.

Garibaldi Alves também quer a punição das empresas MM Consultoria e S. Santos Assessoria, de propriedade do advogado Walter Santos Neto. Ele recebeu R$ 5 milhões da Gtech, dinheiro suspeito de ser propina repassada pela multinacional, em troca do contrato. O advogado teria atuado como intermediário. Para o senador, Santos Neto mentiu ao justificar o uso do dinheiro investigado. Garibaldi acusa Santos Neto e funcionários dele de sacarem R$ 2,4 milhões em dinheiro vivo:

– Alguns desses saques foram feitos com carro-forte e entregues a ele em sua casa ou no escritório.

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