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Cronologia da Crise:

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26/01/2006

O delegado de polícia Benedito Antonio Valencise, de Ribeirão Preto (SP), afirma ter provas documentais e testemunhais suficientes para concluir que houve desvio de dinheiro público e fraude nos serviços de limpeza pública em Ribeirão, durante a administração do prefeito Antonio Palocci (PT). Diz Valencise:

– O superfaturamento está 100% comprovado. Para cada R$ 1 de serviço prestado, R$ 2 eram superfaturados.

Durante as investigações, o delegado tomou o depoimento de 14 testemunhas, entre funcionários e ex-funcionários do Daerp (Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto). 12 pessoas confirmaram irregularidades nos serviços de varrição. O esquema envolvia assessores da Prefeitura e funcionários da empresa Leão Leão, responsável pelos serviços. Outros sete moradores da cidade afirmaram que suas ruas jamais foram varridas, apesar de a Prefeitura pagar pelos serviços. Do delegado:

– Os funcionários do Daerp eram coagidos, ameaçados e sofriam pressão de superiores para alterar as informações das ordens de serviço.

Em depoimento à CPI dos Bingos, Palocci nega irregularidades nos serviços de varrição em Ribeirão. Nega ter assinado contratos ilegais na época em que foi prefeito. Nega ter havido caixa 2 na campanha eleitoral de 2002, quando foi um dos coordenadores de Lula. Nega a doação de dólares de Cuba para a campanha. Nega a doação de dinheiro de casas de bingo para a campanha. Como ministro da Fazenda de Lula, nega qualquer irregularidade no contrato entre a Caixa Econômica Federal e a multinacional Gtech.

Com a fala mansa e pausada, jeito tranqüilo e sereno, Palocci diz ser “fantasiosa” as informações de seu ex-secretário de Governo em Ribeirão, Rogério Buratti, que admitiu ter ouvido menções à operação Cuba. O ministro é questionado sobre a propina de R$ 50 mil que, segundo o mesmo Buratti, era repassada mensalmente a Palocci, na Prefeitura de Ribeirão. Diz o ministro:

– Não é verdade.

– Então ele é mentiroso?

– Não quero me pronunciar dessa forma.

Comentário da senadora Heloisa Helena (PSOL-AL):

– Estou convencida de que o senhor mente o tempo todo.

Boa parte dos senadores, porém, poupa Palocci. Não há perguntas sobre a “casa dos prazeres”. O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), por exemplo, elogia a condução da política econômica do governo. Palocci devolve o tratamento, agradecendo a “generosidade” do senador.

Terminado o depoimento, Palocci libera um supermensalão: autoriza o refinanciamento de R$ 184 milhões da dívida dos produtores de cacau da Bahia, atendendo a pedido de Magalhães. Lula comenta o depoimento:

– O Palocci é um monumento de sinceridade, é um monumento de inteligência. Eu acho que, quem assistiu, saiu convencido de que o espetáculo que a CPI queria dar não aconteceu, porque o Palocci foi muito sincero, muito honesto e muito digno.

O Conselho de Ética da Câmara aprova pareceres recomendando a cassação dos mandatos dos deputados Professor Luizinho (PT-SP) e Roberto Brant (PFL-MG). A votação de Brant termina empatada em 7 votos a 7, e é desempatada pelo deputado Ricardo Izar (PTB-SP), presidente do Conselho de Ética. Para Izar, acompanhar a indicação do relator, deputado Nelson Trad (PMDB-MS), foi o “momento mais difícil da minha vida pública”. Brant recebeu R$ 102 mil do valerioduto, mas alegou que era doação da Usiminas para a sua campanha a prefeito de Belo Horizonte.

Já a cassação de Luizinho é aprovada por 9 votos a 5. O petista apareceu na lista de Marcos Valério como o beneficiário de R$ 20 mil. O dinheiro foi sacado no Banco Rural pelo assessor José Nilson dos Santos. Luizinho foi acusado de ter intermediado a conversa entre o assessor e o tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Luizinho garantiu desconhecer a origem dos recursos, e disse que não ficou com o dinheiro. Não convenceu.

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