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Cronologia da Crise:

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29/01/2006

O jornal Folha de S.Paulo traz uma relação de providências importantes que a CPI dos Correios deixou de tomar, após sete meses de apuração do escândalo do mensalão. A reportagem de Rubens Valente e Fernanda Krakovics mostra que não foram quebrados os sigilos de todas as movimentações do Banco Rural e do BMG, o que teria permitido um acesso completo a operações conduzidas por ambas instituições.

O procedimento possibilitaria saber se o Rural e o BMG fizeram transações com bancos estatais, corroborando ou não a tese de que havia recursos públicos por trás dos empréstimos ao PT. A quebra dos sigilos também traria dados sobre eventuais internações de capital por meio de empresas offshore ou outros bancos do exterior, próximos das datas dos mais de R$ 55 milhões movimentados pelo valerioduto. Da reportagem:

“A confirmação desse tipo de transação levantaria a hipótese de que os recursos pudessem ser do próprio PT, mantidos em alguma conta não declarada no exterior.”

Outro ponto levantado: para saber se Lula teve conhecimento do mensalão e, portanto, cometeu crime de prevaricação ao não determinar uma investigação rigorosa, bastaria a “medida simples” de indagar por ofício ao Palácio do Planalto se houve de fato os encontros com o então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), nos quais Lula teria recebido informações sobre a prática de pagamentos a parlamentares. A providência jamais foi tomada.

Decisão grave da CPI foi a de não solicitar a quebra dos sigilos bancários, telefônicos e fiscais de todos os deputados acusados de receber o mensalão. Teve amparo no “acordo” segundo o qual a medida seria tomada em âmbito da CPI do Mensalão, o que não ocorreu. Na mesma linha, a CPI dos Correios jamais solicitou as listas completas dos assessores de deputados e senadores no Congresso Nacional, para cruzar com os nomes dos beneficiados por movimentações financeiras das empresas de Marcos Valério nos bancos suspeitos.

A CPI dos Correios tampouco tomou o depoimento de Solange Pereira Oliveira, a funcionária do diretório do PT suspeita de ter pago a dívida de R$ 29.436,26 de Lula ao partido, com dinheiro do valerioduto. Apesar de Paulo Okamotto dizer que quitou o débito, Solange sacou R$ 100 mil de uma conta de Valério em março de 2005. No dia seguinte foi feito o pagamento da última parcela da dívida atribuída a Lula, no montante de R$ 5.400,00.

E, por fim, não foi ouvida Soraya Garcia, a ex-assessora financeira do PT. Ela fez várias revelações e implicou o ex-ministro José Dirceu (PT-SP) na entrega de R$ 300 mil de caixa 2 para a campanha de reeleição do prefeito de Londrina (PR), Nedson Micheletti (PT), em 2004.

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