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Cronologia da Crise:

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30/01/2006

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Nelson Jobim, suspende a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Paulo Okamotto, determinada pela CPI dos Bingos. A comissão havia decidido quebrar os sigilos em razão de Okamotto ter dito que pagou do próprio bolso a dívida de Lula junto ao PT, embora jamais tenha apresentado recibos ou documentos bancários que comprovassem o que dizia.

A história de Okamotto é confusa. Ele afirmou que o dinheiro foi sacado de conta pessoal em Brasília, mas os depósitos para quitar a dívida foram feitos em diferentes agências do Banco do Brasil, em São Paulo. Além disso, as retiradas de dinheiro ocorreram em datas que não coincidiram com os pagamentos das parcelas. Okamotto disse não dispor de meios para provar que efetuou os pagamentos.

Em outra decisão, Jobim foi o autor do habeas-corpus que impediu a CPI dos Correios de ordenar a prisão dos ex-dirigentes do PT Delúbio Soares e Silvio Pereira. Ele também concedeu liminar para ampliar o prazo de defesa de seis deputados do PT no Conselho de Ética, todos acusados de envolvimento no escândalo do mensalão. Jobim é o responsável pela libertação de Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, que estava preso sob a acusação de ser o mandante da morte do prefeito Celso Daniel. Jobim impediu o ex-ministro Dirceu de ser investigado por denúncias de corrupção na Prefeitura de Santo André (SP).

Numa última decisão, Jobim impediu a CPI dos Bingos de quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico do empresário Roberto Carlos Kurzweil, dono do Omega blindado usado para transportar caixas de bebida que conteriam dólares de Cuba, para a campanha de Lula em 2002. Kurzweil também teria intermediado outra contribuição para a campanha de Lula, a doação de R$ 1 milhão de empresários angolanos ligados ao jogo de bingo, uma negociação da qual teria participado um dos coordenadores de Lula na época, o ex-prefeito de Ribeirão Preto (SP), Antonio Palocci (PT).

Depoimento confuso à Polícia Federal. O presidente do PL, ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP), afirma que, em 2002, numa transação intermediada por assessores dele, emprestou R$ 3 milhões de Lúcio Funaro, que tem ligações com a corretora Garanhuns, para dispor de condições de efetuar despesas na campanha de Lula.

Para a CPI do Mensalão, porém, Valdemar havia declarado que não manteve qualquer relacionamento com a Garanhuns. Antes do depoimento à comissão, no entanto, o ex-deputado dissera que, por conta da aliança eleitoral com o PT, recebera um cheque nominal da corretora, posteriormente trocado por dinheiro.

Interessante recordar, ainda, o que Marcos Valério disse. Segundo ele, a Garanhuns recebeu R$ 6,5 milhões destinados pelo caixa 2 do PT ao PL de Valdemar. Valério também negou a história do cheque nominal.

De volta ao depoimento à Polícia Federal: ao argumentar que não conhecia Funaro, Valdemar justifica que o empréstimo de R$ 3 milhões foi tomado junto a um “agiota”, a quem desconhecia na época. E, lógico, garante que todo o empréstimo foi integralmente destinado ao pagamento de dívidas de campanha. Valdemar não apresenta comprovantes de gastos.

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