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Cronologia da Crise:

Janeiro de 2006

1.01.2006

Desliga-se do PT Francisco Whitaker, integrante da Comissão de Justiça e Paz da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). “O PT foi um sonho que desmoronou”, resume Chico Whitaker, ao comentar o conteúdo da carta entregue por ele à direção do partido:

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3.01.2006

A CPI dos Correios investiga a relação entre a Petrobrás e o Instituto Florestan Fernandes, organização ligada ao PT. Suspeita-se de favorecimento. Em 2004, a estatal deu patrocínio de R$ 8,6 milhões à entidade. Entre os diretores do instituto, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), líder do governo Lula no Senado; o senador Eduardo Suplicy (PT-SP); o ex-ministro e ex-deputado José Dirceu (PT-SP); o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder do governo Lula na Câmara; José Genoino (SP), ex-presidente nacional do PT; e Mônica Valente, mulher do ex-tesoureiro Delúbio Soares. O instituto recebeu R$ 4,1 milhões para implantar o Museu Afro-Brasil, e R$ 4,5 milhões para o Museu da Cidade, ambos em São Paulo. O patrocínio ocorreu durante o mandato da ex-prefeita Marta Suplicy (PT-SP).

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5.01.2006

A Folha de S.Paulo noticia que o Palácio do Planalto abriu licitação para comprar uma nova faixa presidencial. Em cetim verde-bandeira e amarelo-ouro, terá fios de ouro 18 quilates nas franjas e nos bordados, e revestimento à prova de água. A repórter Mônica Bergamo informa o valor da aquisição: R$ 38 mil. A faixa atual foi feita há 15 anos. É usada nas cerimônias de posse dos novos presidentes, a cada quatro anos.

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7.01.2006

A revista Veja revela uma nova conta secreta e milionária do publicitário Duda Mendonça, num banco de Miami. Foi descoberta por autoridades norte-americanas. O repórter Alexandre Oltramari relata o bloqueio da conta, depois que a filha de Duda, a publicitária Eduarda Mendonça, tentou sacar sem sucesso o dinheiro aplicado, e ordenar o fechamento da conta.

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9.01.2006

O Ministério do Desenvolvimento Social, responsável pelo programa Fome Zero, muda parte de suas instalações para um prédio de três andares em Brasília. O aluguel do imóvel, no valor de R$ 124 mil mensais, já era pago há três meses, sem que o prédio fosse ocupado. O desperdício é ainda maior: avaliação feita pela Caixa Econômica Federal concluiu que o valor máximo do aluguel deveria ficar na casa dos R$ 60 mil. O contrato assinado tem 30 meses de vigência. No período, o governo vai despender R$ 3,7 milhões com a locação. O laudo da Caixa foi retirado do processo. O negócio poderia ter economizado R$ 1,9 milhão para os cofres públicos.

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10.01.2006

Depoimento à CPI dos Correios. Antonio Gustavo Rodrigues, presidente do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, do Ministério da Fazenda), afirma que o Ministério da Justiça lhe comunicou com atraso a existência da segunda conta do publicitário Duda Mendonça em Miami.

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11.01.2006

Os Correios decidiram pagar as despesas com advogados para defender 16 altos funcionários da empresa, investigados por irregularidades pela CPI dos Correios e pelo TCU (Tribunal de Contas da União). O assunto é destaque na Folha de S.Paulo. O repórter Raphael Gomide informa que a assistência jurídica, com “livre escolha” de advogados, sem licitação, poderá ser feita “com adiantamento de recursos”. Declaração de Marcos Sant’Aguida, diretor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios no Rio de Janeiro:

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12.01.2006

A CPI dos Correios descobre 25 pagamentos mensais, ao longo de dois anos, ao deputado João Herrmann Neto (PDT-SP). Ele é ligado à base de apoio do governo Lula. No total, as transferências ao parlamentar somaram R$ 79 mil, sempre por meio de depósitos bancários. Os primeiros pagamentos, a partir de março de 2003, foram de R$ 3.000,00. O mensalinho mereceu correção para R$ 3.800,00, e perdurou até o segundo trimestre de 2005, pouco antes de estourar o escândalo do mensalão. Procurado pela imprensa, Herrmann Neto prefere não se manifestar. Ele foi contra a criação da CPI dos Correios. Disse, na época:

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13.01.2006

A direção do PDT suspende as atividades do deputado João Herrmann Neto (PDT-SP). O empresário Antonio Augusto Leite Filho divulga nota e admite que Herrmann Neto atuou como defensor dos interesses da Beta, e cita como exemplo os esforços do deputado para viabilizar o projeto de pavimentação da BR-163, a Cuiabá-Santarém (PA).

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14.01.2006

A revista Isto É publica a reportagem “Peixe grande na rede do Ocean Bank”, para se referir a uma nova conta bancária secreta, cujo beneficiário seria o publicitário Duda Mendonça. Foi descoberta em Miami, nos Estados Unidos. De acordo com os repórteres Gilberto Nascimento e Osmar Freitas Jr., a conta guardaria cerca de US$ 2,2 milhões em nome de uma empresa não revelada. Teria sido a destinatária de uma remessa de US$ 400 mil em março de 2002, por meio da casa de câmbio Disk Line, com sede em São Paulo. Os doleiros Dario Messer e Helio Laniado teriam utilizado a casa de câmbio.

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15.01.2006

O jornal Folha de S.Paulo traz levantamento feito pela liderança do PFL no Senado. Mostra a coincidência entre o suposto fim do esquema do pagamento de mensalões e o aumento do número de derrotas do governo, nas votações de Medidas Provisórias pela Câmara dos Deputados. Durante a fase de ouro da distribuição de dinheiro do valerioduto, entre janeiro de 2003 e julho de 2004, o governo submeteu 92 Medidas Provisórias ao crivo dos deputados. Perdeu uma vez.

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16.01.2006

Técnicos da CPI dos Correios concluem serem R$ 23,9 bilhões os recursos suspeitos não identificados. A soma é o total da movimentação bancária atribuída a pessoas e empresas com suposto envolvimento no escândalo do mensalão. Integram o número bilionário os valores eventualmente desviados em irregularidades ocorridas em órgãos públicos da administração federal. Todos os R$ 23,9 bilhões dizem respeito a operações em bancos, das quais não constam as identificações dos nomes dos favorecidos nem tampouco dos responsáveis pelos depósitos.

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17.01.2006

Depoimento à CPI dos Bingos. O economista Paulo de Tarso Venceslau, expulso do PT em 1998, afirma que dirigentes do PT sabiam de esquema para a arrecadação de recursos por meio de caixa 2, desde 1995. Naquele ano, Venceslau enviou carta registrada em cartório ao presidente do partido, Luiz Inácio Lula da Silva. Denunciou que a empresa Cpem (Consultoria para Empresas e Municípios), ligada a Roberto Teixeira, compadre de Lula, agia de forma irregular em prefeituras administradas pelo PT. Era contratada sem licitação para fazer um trabalho baseado “em notas falsas e rasuradas”, visando aumentar a arrecadação dos municípios com ICMS. Cobrava comissão de 20% pelos serviços. Na década de 80, Lula morou de graça em imóvel de propriedade de Teixeira, em São Bernardo do Campo (SP).

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18.01.2006

A CPI dos Bingos decide quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico de Paulo Okamotto, o presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Amigo do presidente, assumiu ter quitado a dívida de Lula junto ao PT, no valor de R$ 29.436,26. Mas não explicou detalhes do acerto. Suspeita-se que o dinheiro tenha vindo de caixa 2, do esquema de Marcos Valério.

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19.01.2006

Em depoimento à CPI dos Bingos, o motorista Éder Eustáquio de Macedo confirma que dirigiu o Omega blindado no qual viajaram Ralf Barquete, então secretário da Fazenda de Ribeirão Preto, Vladimir Poleto, outro assessor do prefeito Antonio Palocci (PT-SP), e as três caixas de bebida que conteriam dólares de Cuba destinados à campanha de Lula, em 2002.

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20.01.2006

O caso Cuba. O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Nelson Jobin, impede a CPI dos Bingos de usar informações obtidas com a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Roberto Carlos Kurzweil. O empresário é o dono da locadora de automóveis que cedeu o Omega para transportar as três caixas de bebida que conteriam dólares de Cuba para a campanha de Lula.

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21.01.2006

Mais uma denúncia contra Duda Mendonça. De acordo com reportagem da revista Veja, o publicitário, familiares dele e a sócia Zilmar Fernandes Silveira receberam ao menos US$ 15 milhões em cinco contas bancárias de uma agência do Bank of América, em Miami. “Tudo dinheiro de caixa 2”, escreve o repórter Marcio Aith.

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26.01.2006

O delegado de polícia Benedito Antonio Valencise, de Ribeirão Preto (SP), afirma ter provas documentais e testemunhais suficientes para concluir que houve desvio de dinheiro público e fraude nos serviços de limpeza pública em Ribeirão, durante a administração do prefeito Antonio Palocci (PT). Diz Valencise:

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28.01.2006

A revista Época publica levantamento acerca de operações supostamente fraudulentas envolvendo o Banco do Brasil. Transações com a BMF (Bolsa de Mercadorias e Futuros) teriam provocado perdas de R$ 30,9 milhões ao banco federal. Os dados estão em poder da CPI dos Correios. As operações foram feitas pelo doleiro Lúcio Funaro, conhecido por seu bom relacionamento no meio político. Ele tem ligações com a corretora Garanhuns, apontada como intermediária na transferência de R$ 6,5 milhões do caixa 2 do PT para o PL.

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29.01.2006

O jornal Folha de S.Paulo traz uma relação de providências importantes que a CPI dos Correios deixou de tomar, após sete meses de apuração do escândalo do mensalão. A reportagem de Rubens Valente e Fernanda Krakovics mostra que não foram quebrados os sigilos de todas as movimentações do Banco Rural e do BMG, o que teria permitido um acesso completo a operações conduzidas por ambas instituições.

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30.01.2006

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Nelson Jobim, suspende a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Paulo Okamotto, determinada pela CPI dos Bingos. A comissão havia decidido quebrar os sigilos em razão de Okamotto ter dito que pagou do próprio bolso a dívida de Lula junto ao PT, embora jamais tenha apresentado recibos ou documentos bancários que comprovassem o que dizia.

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31.01.2006

Depoimento à Polícia Federal. José Genoino (SP), ex-presidente nacional do PT, procura se eximir de responsabilidade por ter assinado, como avalista, empréstimos que o partido tomou junto ao Banco Rural e ao BMG. Afirma que seguiu “decisão conjunta do diretório nacional”, e que “os detalhes não foram tratados por mim”. Culpa o tesoureiro do PT:

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1.02.2006

Em depoimento à Polícia Federal, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) afirma que recebeu doação ilegal de R$ 75 mil para a campanha eleitoral de 2002. Veio de um esquema operado por Dimas Toledo, ex-diretor de engenharia de Furnas Centrais Elétricas. De acordo com Jefferson, Toledo levou a quantia pessoalmente a seu escritório político, em dinheiro vivo. O diretor da estatal federal só deixou o cargo em 2005, depois que o próprio Jefferson denunciou seu envolvimento no escândalo do mensalão.

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