Como ler:

Abertura


Cronologia da Crise:

anterior | próxima

284
21/02/2006

Relatório preliminar da CPI dos Correios indica que nove fundos de pensão elevaram de R$ 48,8 milhões para R$ 533 milhões os investimentos no Banco Rural e no BMG, de 2003 para 2004. O aumento de quase 11 vezes ocorreu em aplicações em CDBs (Certificados de Depósitos Bancário) e FIFs (Fundos de Investimento Financeiros) e levou em conta reaplicações de recursos. A CPI suspeita que os investimentos funcionaram como um mecanismo de compensação, uma premiação pelos “empréstimos” concedidos pelos dois bancos ao esquema PT/Marcos Valério.

Como exemplo, a comissão cita os casos dos fundos Funcef (Caixa Econômica Federal), Nucleos (estatais nucleares), Portus (portuários) e Previ (Banco do Brasil). Nenhum deles tinha aplicações no Banco Rural e no BMG. Investiram R$ 84,7 milhões em 2004. Do deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), sub-relator de fundos de pensão da CPI:

– Há uma relação direta entre as aplicações dos fundos de pensão no BMG e no Banco Rural, e muitas das irregularidades que foram detectadas pela CPI.

A Polícia Federal identifica os nomes de duas empresas de fachada localizadas no paraíso fiscal das Bahamas. Elas receberam recursos da Dusseldorf, a offshore do publicitário Duda Mendonça. A Dusseldorf recebeu dinheiro do caixa 2 do PT. As duas empresas são a Raspberry e a Strongbox. Os depósitos vieram da Dusseldorf e somam US$ 632,7 mil. As duas offshores possuem o mesmo endereço em Nassau, a capital das Bahamas.

A transferência de dinheiro entre empresas offshore é um método clássico para despistar a origem e o destino dos recursos. Os nomes da Raspberry e da Strongbox estavam nos arquivos do MTB Bank de Nova York, o banco fechado sob a acusação de ter servido à movimentação de altas somas por doleiros. Funcionaria como uma lavanderia de dinheiro sujo. As duas offshores mantiveram contas no BankBoston de Miami. Fizeram depósitos em conta do MTB Bank em nome da empresa Maximus, com sede no Uruguai.

As investigações também detectam que a Dusseldorf fez remessa de US$ 730 mil para o banco Crédit Suisse, situado em Zurique, no dia 19 de setembro de 2003. A remessa seguiu para uma conta do banco suíço no BankBoston e, de lá, a um beneficiário não-identificado. A Dusseldorf teria ainda repassado US$ 473 mil para a conta do Bankkaus Carl, em 19 de dezembro de 2003. Suspeita-se de duas coisas. O Bankkaus poderia ser uma instituição financeira com sede em Bremen, na Alemanha, ou a operadora de uma conta no banco Chase Manhattan, em Miami.

Uma outra empresa, a Prudential Securities, sobre a qual não há informações, recebeu US$ 100 mil da Dusseldorf, em 16 de dezembro de 2003. O dinheiro foi creditado numa conta do Chase Manhattan, em Nova York. Em 1998, Duda Mendonça recebeu recursos por meio de outra empresa, a Eleven, que tinha uma conta no Citibank de Nova York. Suspeita-se que a conta recebeu US$ 5 milhões de dinheiro desviado pelo então prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PP), para quem Duda também trabalhou.

Depoimento à CPI dos Bingos. João Antonio Setti Braga, empresário de transportes em Santo André (SP), reconhece o pagamento de propina no valor de R$ 100 mil mensais ao esquema montado nas gestões do prefeito Celso Daniel (PT), de meados de 1997 até 2002. No total, entregou R$ 3,3 milhões, a título do que definiu como “custo político, para a gente trabalhar sossegado”.

O dinheiro era repassado ao então vereador Klinger Luiz de Oliveira (PT), secretário de Serviços Municipais de Daniel, por intermédio do empresário Ronan Maria Pinto. Braga relata aos senadores que tentou alertar Daniel, de quem havia sido colega de escola na adolescência. Mas não conseguiu manter contato com o prefeito. Nem por telefone. Diz o empresário:

– Ele estava blindado. Tentei na Prefeitura e por meio de amigos, mas Celso ficava pouco em Santo André e um dos que tinham carta branca para agir era o Klinger.

anterior | próxima | início