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Cronologia da Crise:

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22/02/2006

A Polícia Federal indicia Jacinto Lamas, o ex-tesoureiro do PL. Ele é acusado de lavagem de dinheiro e crime contra a administração pública. Teria recebido R$ 1,6 milhão do empresário Marcos Valério. O dinheiro chegou ao PL por conta do acerto com o PT. Lamas confessou ser o autor de retiradas, “em pacotes lacrados”. Não deu informações sobre o destino do dinheiro. Alegou que fez os saques por determinação do presidente do PL, o ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP), e garantiu ter entregado toda a bolada a ele, sem conferir as quantias que transportou.

Os repasses ao PL somaram supostos R$ 10,8 milhões. O dinheiro também teria chegado ao partido por meio de operações financeiras intermediadas por corretoras. Valdemar renunciou ao mandato para evitar uma possível cassação. Disse que os repasses fizeram parte de acordo eleitoral com o PT, e garantiu ter usado todo o dinheiro para pagar despesas da campanha política de 2002.

Relatório da CPI da Biopirataria solicita ao Ministério Público o indiciamento de cinco integrantes do PT. Todos são acusados de montar esquema para a liberação de madeira extraída ilegalmente de florestas do Pará, entre novembro de 2004 e abril de 2005. Em troca, os petistas teriam recebido propina de madeireiros. Suspeita-se que o dinheiro foi usado em campanhas eleitorais em 2004.

A CPI estima que a maracutaia permitiu a derrubada e o transporte ilegal de 220 mil metros cúbicos de madeira. É o suficiente para encher 6 mil carretas. O desmate teria rendido mais de R$ 2 milhões ao PT. A maior parte, em dinheiro vivo, foi depositada em contas bancárias de Maria Joana da Rocha Pessoa, assessora da senadora Ana Júlia Carepa (PT-PA). A senadora disputou e perdeu a eleição para a Prefeitura de Belém, em 2004.

Por meio do esquema, caminhões com um adesivo nas cores verde e branco com a inscrição “Empresa oPTante do Plano Safra Legal” eram liberados pela fiscalização, para transportar a madeira ilegal. Entre as pessoas citadas pela CPI estão Marcílio Monteiro, marido da senadora Ana Júlia e gerente do Ibama (Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) em Belém; Leivino Ribeiro dos Santos, o idealizador do adesivo e caixa de campanha do PT em Anapu (PA); Francisco de Assis dos Santos Souza, o Chiquinho do PT, candidato derrotado a prefeito de Anapu; Elielson Soares de Farias, militante do PT e ex-gerente do Ibama em Altamira (PA); Bruno Kempner, militante do PT e funcionário do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Altamira; e Silvio César Costa de Lima, caixa de campanha de candidatos do PT na região da Transamazônica.

O Bradesco divulga o lucro obtido pela instituição em 2005. É o maior para um banco de capital aberto já registrado em toda a história da América Latina. Chegou a R$ 5,5 bilhões, um crescimento de 80% em relação a 2004. São R$ 629 mil de lucro por hora, em todos os 365 dias do ano. Uma enormidade. O Itaú não fica muito atrás. Também teve lucro recorde, o maior dos 60 anos de história do banco: R$ 5,2 bilhões. Corresponde a um aumento de 39% em relação a 2004.

Números da era Lula. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revela: a renda per capita em Alagoas, a pior do Brasil, é de R$ 219,17 por mês. Pouco superior aos R$ 174,84 lucrados pelo Bradesco, por segundo. Valem todos os 31.536.000 segundos de 2005. Mas tem o seguinte: os R$ 219,17 representam tão somente a renda média em Alagoas.

O repórter Fernando Dantas, de O Estado de S. Paulo, esteve na cidade alagoana de Belo Monte, à beira do rio São Francisco. Num casebre de pau-a-pique, apenas um cômodo e a “cozinha”, encontrou a família de Djalma Vicente Ferreira, de 64 anos, com seis pessoas. Renda per capita mensal desses brasileiros: R$ 60,00. A mulher dele, Maria de Lourdes Santana, contou como vive com os três netos e a bisneta, de quatro anos:

– Dormem todos aqui mesmo, uns por cima dos outros.

Em Alagoas, 62,5% da população é pobre, o analfabetismo atinge 29,5% dos adultos e a média de escolaridade da população não passa dos 4,2 anos. A proporção de “domicílios” sem acesso a água encanada é de 30%. A reportagem também percorreu a área rural de Olho D’Água do Casado. Lá encontrou outro brasileiro, Manoel Ferreira da Silva:

– A gente pega água de onde os bichos bebem.

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