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Cronologia da Crise:

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24/02/2006

A Câmara dos Deputados concede pedidos de aposentadoria para os ex-deputados Paulo Rocha (PT-PA) e José Borba (PMDB-PR). Ambos renunciaram aos mandatos para escapar de eventuais cassações por envolvimento no escândalo do mensalão. Rocha receberá R$ 4.441,00 mensais. Borba, R$ 5.542,00. O peemedebista foi contemplado com outros cerca de R$ 22 mil, pois a aposentadoria dele é retroativa a outubro de 2005, mês em que renunciou ao mandato. A Câmara também aprovou o benefício aos ex-deputados Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Valdemar Costa Neto (PL-SP), e ao ex-presidente do PT, o ex-deputado José Genoino.

O governo aproveita o Carnaval para divulgar o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2005. Foi de apenas 2,3%. Com isso, procura evitar maiores repercussões. Ninguém presta muita atenção nos jornais durante o feriado prolongado. O mau resultado é atribuído aos juros altos, mecanismo usado pelo governo para conter aumentos da inflação, ao câmbio desfavorável às exportações e à crise política, que teria inibido investimentos e contido a atividade industrial. O Brasil não conseguiu aproveitar a boa fase da economia mundial. O crescimento é bem inferior aos 4,3% estimados para a América Latina. Em toda a região, o desempenho do Brasil só foi melhor que os do Haiti, Jamaica e Guiana. A Argentina, por exemplo, cresceu 9,1%.

Em editorial, a Folha de S.Paulo critica a política econômica, que “manteve o setor privado exposto às maiores taxas de juros e a uma das mais asfixiantes cargas tributárias do planeta”. Diz o jornal:

“Os governistas agora se aferram à ‘explicação’ de que a culpa de o Brasil ter desperdiçado uma das conjunturas mundiais mais favoráveis ao crescimento em décadas foi da crise política por que o país passou a partir de meados do ano passado. Pois debite-se a crise, uma das mais graves da história recente, ao governo Lula. Foi da sua base venal de sustentação e de seu partido que ela surgiu.”

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