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Cronologia da Crise:

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28/02/2006

A família do economista Bruno Daniel, o irmão mais novo de Celso Daniel, deixa o Brasil. Partem às escondidas, sem revelar o país de destino, Bruno e a mulher dele, Marilena, e a filha Caroline. Os outros dois filhos do casal, Marcelo e Marcos, já haviam se mudado para o exterior. A família decidiu abandonar o Brasil depois de seguidas ameaças de morte após os depoimentos de Bruno e do irmão mais velho do prefeito assassinado, o médico oftalmologista João Francisco.

Ambos falaram à CPI dos Bingos e denunciaram um esquema de corrupção em Santo André (SP). Citaram nominalmente o ex-deputado José Dirceu (PT-SP) e o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. Os dois estariam envolvidos em operações que desviavam dinheiro dos cofres municipais para o PT. O próximo a deixar o Brasil será João Francisco Daniel, filho mais velho de João Francisco. Desabafo do médico:

– Foram embora por causa dessa covardia brutal, porque estão ameaçando de morte os nossos filhos.

João Francisco relata que a primeira ameaça veio por meio de uma carta anônima, dizendo que ele e Bruno iriam morrer. Depois, os dois irmãos receberam e-mails com ameaças contra as “sobrinhas do prefeito” Celso Daniel. Em outro momento, uma pessoa conhecida da família, mas cuja identidade não foi revelada, contou ter ouvido detalhes de um plano para seqüestrar as sobrinhas do prefeito morto. Bruno também foi seguido algumas vezes nas ruas de Santo André por gente conhecida. Diz João Francisco:

– O morador de uma favela de Mauá confirmou que estavam tramando o seqüestro e o assassinato de nossas filhas.

As ameaças foram denunciadas por Bruno à 3ª Delegacia de Proteção à Polícia, em novembro de 2005. Lula também foi informado. Ele teria solicitado investigações, mas notícia publicada pela Folha de S.Paulo informa que a Polícia Federal concluiu que as ameaças não mereciam crédito. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo chegou a providenciar segurança para Bruno e a mulher Marilena, e escolta para um dos filhos do casal. Em janeiro, porém, em telefonema anônimo para Marilena, um homem disse que um sobrinho dela havia sido seqüestrado e seria morto. Era mentira. A família resolveu deixar tudo e abandonar o Brasil. Uma vergonha.

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