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Cronologia da Crise:

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8/02/2006

O ministro Antonio Palocci (PT-SP) envia carta à CPI dos Bingos. Informa que cometeu “uma imprecisão terminológica” ao dizer, em depoimento, que o PT alugara o avião de José Roberto Colnaghi, no qual ele, ministro, viajou. No ofício, afirma ter recorrido “inadvertidamente à expressão alugou”, sem se “apegar à acepção estrita do termo”. Para Palocci, não há “contradição essencial” entre suas afirmações e as de Colnaghi:

– Ao reafirmar que o PT disponibilizara um avião para meu transporte, recorri inadvertidamente à expressão “alugou”, sem me apegar à acepção estrita do termo.

Comentário do senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT):

– Essa carta é uma desmoralização da língua portuguesa. Se submetê-la a qualquer filólogo, não dá para aceitar. É preciso mudar o dicionário, para incluir “alugar de graça”.

Soraya Garcia, a assessora financeira do PT de Londrina (PR) nas eleições de 2004, presta à CPI dos Bingos o depoimento que a CPI dos Correios não ouviu. Afirma que a Itaipu Binacional doou R$ 400 mil, em caixa 2, para a campanha da reeleição do prefeito Nedson Micheletti (PT). Acusa a multinacional Gtech de ter feito o pagamento do aluguel de carros usados na campanha, em troca de vantagens obtidas em evento bancado com caixa 2. Reitera a participação do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT-PR), no esquema. E confirma que o ex-ministro José Dirceu (PT-SP) teria levado pessoalmente R$ 300 mil de caixa 2 para Londrina.

Soraya diz que a campanha recebeu 20 mil camisetas fabricadas pela Coteminas do vice-presidente José Alencar (PL-MG), transportadas em caixas da agência de publicidade DNA de Marcos Valério. A ex-assessora conta que, pressionada pela Justiça Eleitoral para explicar a origem das camisetas, conseguiu nota fiscal fria, da própria Coteminas, depois de muito insistir. O documento foi providenciado pelo tesoureiro Delúbio Soares.

A convocação de Soraya ocorreu com os votos contrários dos senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Tião Viana (PT-AC) e Flávio Arns (PT-PR). Em agosto de 2005, o PT prometeu fazer uma auditoria nas contas da campanha de Micheletti. O presidente do PT em Londrina, Antonio Kasprovicz, informa ao jornal O Estado de S. Paulo, quase seis meses depois, que a auditoria não tem prazo para ser concluída.

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