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Cronologia da Crise:

Fevereiro de 2006

1.02.2006

Em depoimento à Polícia Federal, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) afirma que recebeu doação ilegal de R$ 75 mil para a campanha eleitoral de 2002. Veio de um esquema operado por Dimas Toledo, ex-diretor de engenharia de Furnas Centrais Elétricas. De acordo com Jefferson, Toledo levou a quantia pessoalmente a seu escritório político, em dinheiro vivo. O diretor da estatal federal só deixou o cargo em 2005, depois que o próprio Jefferson denunciou seu envolvimento no escândalo do mensalão.

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2.02.2006

A Polícia Federal indicia o publicitário Duda Mendonça e a sócia dele, Zilmar Fernandes Silveira. Ambos vão responder por evasão de divisas e lavagem de dinheiro, por operações realizadas em paraísos fiscais. Duda não declarou à Receita Federal os R$ 10,5 milhões que admitiu ter recebido do PT no exterior, por serviços prestados na campanha eleitoral de 2002. Tampouco informou que era o dono da offshore Dusseldorf, aberta nas Bahamas para lavar dinheiro.

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4.02.2006

Depoimento ao Ministério Público e à Polícia Federal. O advogado Rogério Buratti inocenta Isabel Bordini, a ex-superintendente do Daerp (Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto). Ele a isenta de irregularidades nas medições dos serviços de limpeza pública e de varrição de ruas, durante o segundo mandato do prefeito Antonio Palocci (PT-SP), em 2001 e 2002.

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5.02.2006

O ministro Antonio Palocci (PT-SP) apresentou versão falsa em depoimento à CPI dos Bingos. Disse que o PT pagou as despesas do aluguel do jatinho particular usado por ele, em 23 de julho de 2003. Naquele dia, Palocci fez uma viagem de ida e volta entre Brasília e Ribeirão Preto (SP). A notícia está na Folha de S.Paulo. Os repórteres Mario Cesar Carvalho e Leonardo Souza procuraram notas fiscais e recibos que comprovassem o aluguel do avião, em diretórios do PT. Nada acharam. O dono da aeronave, o empresário José Roberto Colnaghi, confessou: não houve pagamento. Da reportagem:

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6.02.2006

Entrevista de Marco Aurélio Garcia, assessor especial de Lula para assuntos internacionais. Ele deu declarações para os autores do estudo “No olho do furacão – militantes de esquerda discutem a crise brasileira”. O patrocínio é do Transnational Institute, da Holanda. Garcia fala do dinheiro do PT:

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7.02.2006

Lula embarca para mais uma viagem internacional à África. Usa o Aerolula, o avião Airbus 310 comprado por US$ 56,7 milhões. O jornal O Estado de S. Paulo revela que, antes de completar o primeiro aniversário, o Aerolula passou por uma reforma na ala íntima, reservada ao presidente, familiares e convidados. Ganhou um bar. Custo da reforma: R$ 300 mil.

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8.02.2006

O ministro Antonio Palocci (PT-SP) envia carta à CPI dos Bingos. Informa que cometeu “uma imprecisão terminológica” ao dizer, em depoimento, que o PT alugara o avião de José Roberto Colnaghi, no qual ele, ministro, viajou. No ofício, afirma ter recorrido “inadvertidamente à expressão alugou”, sem se “apegar à acepção estrita do termo”. Para Palocci, não há “contradição essencial” entre suas afirmações e as de Colnaghi:

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9.02.2006

O Conselho de Ética da Câmara rejeita, por 9 votos a 5, parecer que recomendava a cassação do ex-líder do PP, deputado Pedro Henry (MT). É o primeiro caso em que o Conselho de Ética derruba o voto do relator. Henry foi acusado por Roberto Jefferson de distribuir recursos do caixa 2 do PT para a bancada do PP, e de pressionar o líder do PTB, José Múcio (PE). Segundo Jefferson, ele queria o PTB participando do esquema do mensalão.

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10.02.2006

Preso pela Polícia Federal Luiz Eduardo Machado de Castro, ex-tesoureiro do PT em João Monlevade (MG). Ele também exerceu o cargo de secretário municipal de Serviços Urbanos na cidade mineira. Ultimamente era chefe do distrito regional do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) em Minas Gerais. É suspeito de fraudes na emissão de documentos sobre a origem de diamantes. Indicado para o cargo pela bancada mineira do PT, Castro é acusado de apresentar certificado falso que permitiu a exportação de 6.786 quilates de diamante. Disse que as pedras tinham sido extraídas de uma lavra garimpeira perto de Diamantina (MG), mas nunca houve exploração de diamantes naquele local. O Ministério das Minas e Energia suspende a emissão de certificados Kymberley, documentos indispensáveis para as exportações de diamante. Castro é demitido.

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13.02.2006

Jantar em comemoração do 26º aniversário do PT. Durante a festa em Brasília, Lula minimiza a importância do escândalo do mensalão. Mas não faz citações diretas:

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14.02.2006

O Jornal da Band, da TV Bandeirantes, noticia que o presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PC do B - SP), mudou-se em novembro de 2005 para a residência oficial reservada ao chefe do legislativo, mas não devolveu o apartamento funcional que ocupava em Brasília, contrariando dispositivo legal. Passou-o à sogra, Maria das Dores. Diz Rebelo:

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15.02.2006

Em depoimento à CPI dos Correios, Dimas Toledo, o ex-diretor de engenharia de Furnas Centrais Elétricas, reconhece que foi o único alto funcionário da estatal a permanecer no cargo, após as eleições de 2002. Nega ter padrinho político. Diz que a decisão de mantê-lo em Furnas foi da ex-ministra das Minas e Energia, Dilma Roussef.

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16.02.2006

A Polícia Civil de Goiás indicia Delúbio Soares por peculato. O ex-tesoureiro do PT é acusado de apropriação indevida de dinheiro público. Ele recebeu salários mensais que variaram entre R$ 1.240,00 e R$ 1.400,00 nos anos de 2001 e 2002, como se prestasse serviços ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás. Mas Delúbio trabalhava em São Paulo para o partido. As presidentes do sindicato Noeme Diná Silva, indiciada, e Neyde Aparecida (PT-GO), eleita deputada, assinaram comprovantes falsos de que o ex-tesoureiro cumpria jornadas de trabalho de 40 horas semanais em Goiânia, durante dois anos.

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17.02.2006

O jornal *Folha de S.Paulo tem novidade. A Telemar, uma das maiores operadoras de telefones fixos do país, decidiu injetar R$ 5 milhões por ano em patrocínios e produção nos programas de televisão da Gamecorp, a empresa de Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A mesma Telemar, que é concessionária de serviço público, já havia feito um aporte de capital de R$ 5 milhões na Gamecorp, em 2004. Na época, tornou-se sócia da empresa. Recorde-se que a Telemar é em parte uma empresa pública. Tem 55% das ações nas mãos do Banco do Brasil, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e fundos de pensão. A revista Veja informa que o patrocínio de R$ 5 milhões de 2005, os R$ 5 milhões previstos para 2006 e a compra de ações, na casa dos R$ 5 milhões, somam R$ 15 milhões destinados pela Telemar à Gamecorp, em três anos.

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18.02.2006

A revista Veja traz uma história que reforça a suspeita de que fundos de pensão financiaram o mensalão. Renato Paolielo, assessor de imprensa do deputado Nilton Baiano (PP-ES), embolsou R$ 100 mil da corretora Euro, em julho de 2004, durante a campanha de Baiano à Prefeitura de Vitória.

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19.02.2006

Mais indícios de caixa 2 na relação Duda Mendonça/PT. O jornal O Estado de S. Paulo publica levantamento da CPI dos Correios sobre os R$ 9,3 milhões oficialmente destinados ao publicitário por comitês eleitorais do PT, para pagar os serviços prestados a seis candidaturas do partido a prefeito, nas eleições de 2004. Os técnicos não encontraram registros de que o dinheiro tenha sido depositado nas contas da Cep (Comunicação e Estratégia Política), a empresa de Duda responsável pelos serviços. Tampouco há depósitos em outras contas bancárias ligadas ao publicitário. É como se Duda não tivesse trabalhado.

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20.02.2006

O Banco do Brasil tem a honra de vir a público e divulgar o maior lucro de sua história. Impulsionado por receitas advindas da cobrança de juros, o ganho da instituição em 2005, durante o terceiro ano do governo Lula, chegou a R$ 4,1 bilhões. O Banco do Brasil não está sozinho. A Caixa Econômica Federal também obteve o melhor resultado da história, com lucro superior a R$ 2 bilhões. Outro recorde: o lucro do Unibanco, que bateu na casa de R$ 1,8 bilhão, crescimento de 43% em relação a 2004. Mais um lucro estratosférico: o do Banespa Santander, de R$ 1,6 bilhão.

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21.02.2006

Relatório preliminar da CPI dos Correios indica que nove fundos de pensão elevaram de R$ 48,8 milhões para R$ 533 milhões os investimentos no Banco Rural e no BMG, de 2003 para 2004. O aumento de quase 11 vezes ocorreu em aplicações em CDBs (Certificados de Depósitos Bancário) e FIFs (Fundos de Investimento Financeiros) e levou em conta reaplicações de recursos. A CPI suspeita que os investimentos funcionaram como um mecanismo de compensação, uma premiação pelos “empréstimos” concedidos pelos dois bancos ao esquema PT/Marcos Valério.

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22.02.2006

A Polícia Federal indicia Jacinto Lamas, o ex-tesoureiro do PL. Ele é acusado de lavagem de dinheiro e crime contra a administração pública. Teria recebido R$ 1,6 milhão do empresário Marcos Valério. O dinheiro chegou ao PL por conta do acerto com o PT. Lamas confessou ser o autor de retiradas, “em pacotes lacrados”. Não deu informações sobre o destino do dinheiro. Alegou que fez os saques por determinação do presidente do PL, o ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP), e garantiu ter entregado toda a bolada a ele, sem conferir as quantias que transportou.

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23.02.2006

O TCU (Tribunal de Contas da União) aprova auditoria e pede explicações ao Palácio do Planalto sobre o uso dos chamados cartões da presidência, na compra de R$ 608 mil em bebidas alcoólicas e alimentos refinados. Os produtos foram adquiridos para a Granja do Torto e o Palácio do Alvorada, as residências oficiais de Lula.

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24.02.2006

A Câmara dos Deputados concede pedidos de aposentadoria para os ex-deputados Paulo Rocha (PT-PA) e José Borba (PMDB-PR). Ambos renunciaram aos mandatos para escapar de eventuais cassações por envolvimento no escândalo do mensalão. Rocha receberá R$ 4.441,00 mensais. Borba, R$ 5.542,00. O peemedebista foi contemplado com outros cerca de R$ 22 mil, pois a aposentadoria dele é retroativa a outubro de 2005, mês em que renunciou ao mandato. A Câmara também aprovou o benefício aos ex-deputados Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Valdemar Costa Neto (PL-SP), e ao ex-presidente do PT, o ex-deputado José Genoino.

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28.02.2006

A família do economista Bruno Daniel, o irmão mais novo de Celso Daniel, deixa o Brasil. Partem às escondidas, sem revelar o país de destino, Bruno e a mulher dele, Marilena, e a filha Caroline. Os outros dois filhos do casal, Marcelo e Marcos, já haviam se mudado para o exterior. A família decidiu abandonar o Brasil depois de seguidas ameaças de morte após os depoimentos de Bruno e do irmão mais velho do prefeito assassinado, o médico oftalmologista João Francisco.

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1.03.2006

Os Estados Unidos divulgam relatório anual sobre o combate ao crime organizado no mundo. O Brasil e o escândalo do mensalão ocupam espaço de destaque. O documento cita as investigações desencadeadas por autoridades brasileiras contra “figuras públicas corruptas, incluindo inspetores de alfândega, autoridades federais tributárias e altas figuras políticas, e o uso de empresas offshore para lavagem de dinheiro”.

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