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Cronologia da Crise:

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10/03/2006

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o advogado Roberto Bertholdo, ex-assessor parlamentar do PMDB e ex-conselheiro da Itaipu Binacional, afirma ao repórter José Maschio que o deputado José Janene (PP-PR) e o doleiro Alberto Youssef têm um esquema para retirar dinheiro de estatais e destiná-lo ao pagamento de mensalões.

Bertholdo trabalhou no gabinete do ex-líder do PMDB na Câmara, deputado José Borba (PR). Ele diz ao repórter que Janene e Youssef são os donos da corretora Bônus-Banval, envolvida no escândalo do mensalão. De acordo com Bertholdo, “80% dos recursos adquiridos via corrupção eram transformados em dinheiro vivo”, por meio da corretora. Ele cita o deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), que foi ministro do presidente Lula:

– Quando o Eunício Oliveira assumiu o Ministério das Comunicações, o Janene e o Youssef me apareceram com o currículo do diretor da Bônus-Banval, Breno Fischberg, e outro corretor da Bônus, para que o PMDB indicasse um deles à presidência do Postalis. Eles queriam armar um amplo esquema no governo. Nós não aceitamos.

Bertholdo afirma ter visto Youssef levando sacolas com dinheiro ao apartamento de Janene, em Brasília:

– Por pelo menos três vezes. Uma vez, ele abriu uma sacola para mostrar algo ao Janene e vi que eram reais. Em uma outra vez, as sacolas eram tão pesadas que a Cleide, a cozinheira do Janene, teve que ajudar o Youssef a levar as sacolas para um aposento interno do apartamento.

Segundo Bertholdo, o dinheiro era para pagar parlamentares da base aliada do governo Lula:

– Quem ele pagava e os nomes que ele me passou, eu só falo ao procurador-geral da República. Mas ele e o Youssef operavam muito dinheiro.

Depoimento à CPI dos Correios. Marcelo Sereno, ex-assessor do ministro José Dirceu (PT-SP) e ex-secretário de Comunicação do PT, admite que participou do processo de escolha de dirigentes para fundos de pensão. Ele também reconhece ser amigo de Murilo e Christian de Almeida Rego, filhos do operador de mercado Haroldo Pororoca. Ambos são suspeitos de obter lucros em operações irregulares com os fundos de pensão Nucleos (estatais nucleares) e Prece (companhia de saneamento do Rio). Fabiana Carnaval, prima dos irmãos, teria sido indicada como gerente financeira da Nucleos por influência de Sereno. A Nucleos fazia investimentos na Arbor, uma empresa de gestão de recursos cujos sócios eram Christian e a mulher de Murilo, Rogéria.

Nota publicada na coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Informa que o Palácio do Planalto decidiu renovar o enxoval, por R$ 175 mil. Diz o texto:

“Para os quartos serão compradas quatro colchas de casal de piquê 300 fios e acabamento com bordado ponto Paris, por R$ 990,00 cada uma. Para copa e cozinha, serão gastos R$ 62.760,00. Cada jogo de toalha de mesa (cambraia 100% linho, com bordado Richelieu e dois forros) deve custar R$ 1.965,00. E quase R$ 15 mil serão gastos em toalhas: 210 de banho e 20 de piscina, entre outras. Todas com tecido felpudo, fibra longa e algodão especial. Cores a definir.”

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