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Cronologia da Crise:

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13/03/2006

Dados levantados pela CPI dos Correios são estampados nas páginas da Folha de S.Paulo. O diretório nacional do PT emprestou R$ 1 milhão do Banestado (Banco do Estado do Paraná), entre 1999 e 2001, no período em que o partido era presidido pelo deputado cassado José Dirceu (PT-SP). O PT movimentou R$ 4,8 milhões em sua conta no Banestado. Sabe-se que em 2003, já no governo Lula, o Palácio do Planalto trabalhou contra a criação da CPI do Banestado. Os repórteres Rubens Valente e Leonardo Souza apontam que Dirceu, na época ministro da Casa Civil, destacou-se na tentativa de barrar as investigações. Pressionado, o governo acabou cedendo, mas emplacou o relator da comissão: o deputado José Mentor (PT-SP), um aliado de Dirceu.

A CPI do Banestado funcionou entre 2003 e 2004. Tinha como finalidade apurar uma das maiores fraudes já ocorridas no Brasil, em todos os tempos: a remessa de pelo menos R$ 120 bilhões para o exterior, entre 1998 e 2002, por meio de contas abertas em nome de “laranjas” e de empresas offshore operadas por doleiros. O esquema serviu para escamotear a origem do dinheiro que se procurava lavar com as operações. Em muitos casos, os recursos vêm de fontes ilegais, provenientes também de corrupção política.

A Folha lembra um pacto firmado em 2004 entre o PT e Paulo Maluf (PP-SP), o candidato a prefeito de São Paulo que, derrotado no primeiro turno, apoiou Marta Suplicy (PT-SP) no segundo. Em troca do apoio, o nome dele seria excluído do relatório final da CPI. De fato, Mentor não incluiu Maluf no rol dos indiciados. Durante o período das remessas de dinheiro ao exterior por meio do Banestado, Lula era o presidente de honra do PT.

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