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Cronologia da Crise:

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15/03/2006

O caseiro Francenildo Costa concede entrevista coletiva. Confirma que o ministro Antonio Palocci (PT-SP) esteve várias vezes na “casa dos prazeres”, entre 2003 e 2004. De acordo com o caseiro, Palocci costumava freqüentar o lugar “quinta-feira sim, quinta-feira não”, além de alguns sábados e domingos.

Francenildo conta que, nas noites de quinta em que Palocci esteve na “casa dos prazeres”, havia sempre uma mulher. Normalmente Vladimir Poleto ou Ademirson Ariosvaldo da Silva, o secretário particular do ministro, a traziam. Ademirson vinha com um automóvel Santana preto, placas de Ribeirão Preto (SP).

O caseiro relata que Palocci chegava às 18 ou 19 horas, sempre guiando o Peugeot de Ralf Barquete, e ia embora às 20h30, outras vezes às 22 horas, “não tinha hora certa”. Ele afirma, contudo, que Palocci não participava de festas promovidas pelo grupo de pessoas de Ribeirão, sempre com três ou quatro garotas, às terças-feiras. Deputados do PT, uns “cinco ou seis” segundo o caseiro, também estiveram nas festas. Diz o caseiro:

– Entrei numa barca furada. Pensava que eram pessoas honestas, e não eram. No final era essa sujeira que está aí. Pessoas que fazem esse tipo de coisa não deveriam estar num cargo lá em cima.

Francenildo recorda que algumas garotas, certa vez, teriam consumido drogas, o que revoltou Poleto. Ele telefonou para alguém e disse que não queria mais aquelas mulheres na casa. O caseiro fala sobre a noite em que conversou com Palocci pelo interfone:

– Eu estava fechando a casa quando tocou o telefone. Ele disse: “Estou perdido aqui e tô querendo sair”. Abri o portão dos fundos e ele foi embora.

Lula volta a denunciar “calúnias” contra seu ministro da Fazenda. Afirma que a confiança em Palocci continua “inabalável”:

– Primeiro, eu acredito que Palocci é maior de idade e tranqüilo para resolver essas denúncias. São mais denúncias evasivas. Nós já estamos acostumados.

A Câmara dos Deputados cassa o mandato do presidente do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), por 261 votos contra 166. Apenas quatro votos a mais do que o mínimo de 257 necessários para a perda do cargo. Em compensação, a Câmara absolve o ex-líder do PP, deputado Pedro Henry (MT). Ambos acusados de envolvimento no escândalo do mensalão. Votam pela absolvição 255 deputados, contra 176 que pedem a condenação.

A principal acusação contra Henry veio de Roberto Jefferson. Ele disse que o pepista tentou cooptar dois deputados do PTB, oferecendo-lhes as vantagens do mensalão. O PP foi contemplado com R$ 4,1 milhões em dinheiro do caixa 2 do PT, de acordo com informações de Marcos Valério. O partido de Corrêa só admitiu ter posto a mão em R$ 700 mil, e mesmo assim para o pagamento de serviços advocatícios ao ex-deputado Ronivon Santiago (PP-AC). Trecho do relatório do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que apreciou o processo contra Corrêa:

“O PP disse que o dinheiro foi utilizado para pagar o advogado para Ronivon Santiago. Era dinheiro repassado pelo PT. No Acre, o PT movia ações contra Ronivon, mas aqui, no plano federal, o PT fornecia recursos para defender Ronivon; lá, o PT apontava fraudes contra Ronivon, mas aqui oferecia subsídios para o deputado.”

O TCU (Tribunal de Contas da União) decide investigar o contrato de publicidade da Petrobrás com a agência Duda Mendonça Associados. O contrato inicial, de dezembro de 2003, previa o pagamento de R$ 63 milhões por serviços prestados pelo publicitário. Num primeiro aditivo, o valor subiu em R$ 21,5 milhões. Até dezembro de 2005, o contrato sofreu mais seis alterações e alcançou o teto de R$ 213,9 milhões.

Em depoimento à CPI dos Correios, Duda silencia. Munido de habeas-corpus para não ser preso, o publicitário recusa-se a responder até as perguntas mais simples, como os nomes dos filhos e da mulher. “Não vou responder”, repete Duda, várias vezes.

O Tribunal de Justiça de São Paulo determina o arquivamento do processo que apurava a suposta participação do deputado Donisete Braga (PT-SP) na morte de Celso Daniel (PT). Braga foi considerado suspeito por estar muito próximo do local usado como cativeiro do então prefeito de Santo André (SP), na noite de 19 de janeiro de 2002. Um dia depois ele foi assassinado. Foram feitas 15 ligações do telefone celular do deputado, entre 22h18 e 23h41 daquela noite. Uma antena, localizada no quilômetro 276 da rodovia Régis Bittencourt, perto de São Paulo, captou os telefonemas. O cativeiro ficava no quilômetro 331.

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