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Cronologia da Crise:

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19/03/2006

Mais indícios da ligação entre Antonio Palocci (PT-SP) e a empreiteira Leão Leão. A Folha de S.Paulo publica entrevista com o corretor de imóveis Carlos Magalhães. Em 2003, ele intermediou o aluguel de uma casa no setor de mansões Dom Bosco, bairro nobre de Brasília, a integrantes da “república de Ribeirão Preto”. O imóvel foi alugado pelo grupo antes da “casa dos prazeres”. A locação, de R$ 9 mil, foi feita por Rogério Buratti e Ralf Barquete, em nome de um homem chamado Osvaldo. Ele seria ligado à Cinco Telecom, empresa da qual Buratti também é sócio.

Os inquilinos deram R$ 22 mil, por meio da Leão Leão, para pagar a primeira parcela da construção de uma quadra de tênis na casa. Não deram a segunda. O dinheiro não foi devolvido. Vladimir Poleto também participou do negócio. A casa foi visitada por Palocci antes de ser alugada, de acordo com a reportagem de Andréa Michel e Leonardo Souza. O ministro aprovou o imóvel. A “república de Ribeirão Preto” ocupou a residência por seis meses. Teve problemas com o caseiro. Diz o corretor Magalhães:

– Ele foi mandado embora e eles trouxeram um de São Paulo. Eles não quiseram o menino lá mais porque ele estava fofocando, falando que Palocci estava indo lá, que eles estavam levando mulheres. Aí, no dia em que chegou mudança de São Paulo, com uns quadros, obras de arte, num domingo, o irmão da dona da casa barrou porque não agüentava mais a farra que estavam fazendo.

A Folha traz a história de Ruy Barquete. Ele é o irmão de Ralf Barquete, secretário da Fazenda durante o segundo mandato de Antonio Palocci (PT-SP) na Prefeitura de Ribeirão Preto (SP), em 2001 e 2002. No governo Lula, Ralf foi nomeado assessor da presidência da Caixa Econômica Federal. O banco é subordinado ao Ministério da Fazenda. Ralf morreu de câncer em 2004.

O irmão Ruy é diretor da Diebold Procomp que, associada ao Bradesco, venceu concorrência na mesma Caixa Econômica Federal, para fornecer 25 mil terminais de computador e instalá-los em 9 mil casas lotéricas em todo o país, por um período de quatro anos. Depois, serão retirados. Um negócio de R$ 213 milhões.

A Diebold Procomp também fornece equipamentos para o Banco do Brasil. Há indícios, conforme o relato do repórter Mario Cesar Carvalho, de que a empresa teve participação no rumoroso caso da renovação do contrato de R$ 650 milhões entre a Caixa e a multinacional Gtech.

Durante o período de renovação do contrato, no início do governo Lula, Ralf trocou telefonemas com João Abud Júnior, o presidente da Diebold Procomp. Ralf teria indicado Rogério Buratti para participar das negociações com a Gtech, ao perceber que Waldomiro Diniz, o ex-assessor do então ministro José Dirceu (PT-SP), perseguia a transação. O caso sugere uma disputa por propina entre os dois ministros de Lula.

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