Como ler:

Abertura


Cronologia da Crise:

anterior | próxima

293
2/03/2006

Depoimento à Polícia Federal. José Antonio Csapo Talavera, ex-superintendente administrativo da multinacional Toshiba, denuncia a empresa japonesa por integrar um “clube” que paga propina a dirigentes de estatais brasileiras e políticos no Congresso Nacional, para fazer negócios com o setor elétrico. Fazem parte da organização, além da Toshiba, as multinacionais WEG, Alston do Brasil, Asea Brown Boveri, GE (General Eletric) e Gevisa, esta última um consórcio entre a GE, Villares e Banco Safra.

De acordo com a acusação do ex-funcionário da Toshiba, as reuniões do “clube” se dão em São Paulo, em local não estabelecido, “quando são definidos os vencedores de licitações e contratos com o poder público, bem como os valores que serão pagos a título de propina”. O esquema contaria com a participação de funcionários das estatais Furnas Centrais Elétricas e Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais). Durante o governo Lula, a Toshiba teria vendido componentes para o setor elétrico de Furnas no valor de R$ 8,6 milhões.

Talavera denuncia que Furnas teria exigido propina de US$ 5 milhões para autorizar a Toshiba a ganhar o negócio da construção de cinco ou seis usinas termelétricas. Dá como exemplo as usinas de Campos dos Goytacazes (RJ) e de São Gonçalo (RJ). Trecho do depoimento à Polícia Federal:

– Os valores que seriam pagos por Furnas já teriam embutidos percentuais destinados ao pagamento de propinas para a diretoria da estatal e alguns políticos. Tais recursos seriam repassados para a estatal e para os políticos através de falsos contratos de consultoria.

O ex-funcionário foi contratado pela Toshiba em 1998. Em 2001 tomou conhecimento do caixa 2 da multinacional. Obteve informações de Leonídio Soares, ex-diretor de Furnas em Minas Gerais. Ele teria admitido a prática de repassar dinheiro para funcionários da estatal, “mediante o desconto de cheques na boca do caixa, amparados por notas frias”.

Durante o depoimento, Talavera entrega à Polícia Federal exemplares de notas fiscais frias emitidas pela Toshiba, para justificar serviços de consultoria fictícios e a saída do dinheiro da propina. Ele cita o ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, como envolvido no esquema. Conta o que certa vez ouviu de Nobuhiro Tanimura, o presidente da multinacional no Brasil:

– Todos os que ocupavam cargos públicos nesses países estariam sujeitos a receber propina e que as coisas funcionavam assim na América do Sul como um todo.

anterior | próxima | início