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Cronologia da Crise:

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20/03/2006

O delegado Wilson Damázio, da Polícia Federal, admite que foi informado pelo próprio caseiro Francenildo Costa sobre os depósitos em sua conta na Caixa Econômica Federal. Ocorreu na noite de quinta-feira, dia 16, quando Francenildo pediu proteção policial. Naquela mesma noite, os extratos bancários do caseiro saíram da Caixa. Foram parar no dia seguinte no site da revista Época. Entre os documentos apresentados por Francenildo à Polícia Federal, portanto, estava o cartão da conta poupança na qual recebera os R$ 25 mil transferidos pelo pai. A Polícia Federal é subordinada ao Ministério da Justiça.

A Caixa reconhece que o formulário usado para a extração dos dados da movimentação bancária de Francenildo é exclusivo do sistema interno do banco. Os clientes não têm acesso. A quebra do sigilo, portanto, deu-se dentro das dependências da estatal. A Caixa abre investigação interna para apurar responsabilidades. Prazo: 15 dias. Tempo suficiente para o governo abafar o caso.

O Estado de S. Paulo publica o editorial “Uma operação torpe”. O jornal afirma:

“A PF admitiu ao jornal O Globo que pediu o cartão bancário de Francenildo, além do seu RG e CPF, para copiá-los, o que teria demorado cerca de três minutos. Mas, de acordo com Nildo, como é chamado, depois de lhe pedirem esses documentos, na ‘última hora’ um policial lhe perguntou se tinha conta em banco. ‘Aí pediu meu cartão’ (de correntista da Caixa Econômica Federal). Pelos seus cálculos, esperou ‘10 ou 20 minutos’ até tirarem as cópias. Nada disso é insignificante quando se está em face da mais torpe operação já engendrada nas alturas – e nos porões – do governo do PT.”

Para o jornalista Clóvis Rossi, da Folha de S.Paulo, a violação do sigilo bancário de Francenildo “é um ato de gangsterismo que só reforça a sensação de que a política brasileira desce mais e mais ao pântano”.

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Nelson Jobim, decide manter a liminar que suspendeu o depoimento de Francenildo à CPI dos Bingos.

O jornal O Estado de S. Paulo revela o teor do relatório da auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre um contrato firmado entre a Petrobrás e a empresa GDK. Aponta favorecimento em licitação, superfaturamento de US$ 23 milhões e pede a suspensão de pagamentos ainda não efetuados. Os auditores que analisaram o caso também recomendam aplicação de multa a Sérgio Gabrielli, o presidente da Petrobrás, acusando-o de criar dificuldades aos trabalhos de investigação conduzidos pelo TCU.

O contrato para reformar a plataforma petrolífera P-34, no valor de US$ 89 milhões, foi firmado entre uma subsidiária da Petrobrás, a Petrobrás Netherlands B.V. (PNBV), e a GDK. O repórter Diego Escosteguy conta que o contrato estava sob a responsabilidade de Renato Duque, o diretor de Serviços da Petrobrás. A nomeação dele para o cargo passou pelo crivo do então secretário-geral do PT, Silvio Pereira. Para a celebração do negócio, a GDK teria obtido informações antecipadas e privilegiadas. Em troca, Silvinho ganhou o famoso jipe Land Rover.

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