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Cronologia da Crise:

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21/03/2006

Não se fala em outra coisa nos círculos políticos de Brasília: a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa passou pelo gabinete da presidência da Caixa Econômica Federal. Os dados extraídos do sistema da Caixa, com a senha de um alto funcionário, teriam seguido às mãos do assessor de imprensa do ministro Antonio Palocci (PT-SP), o jornalista Marcelo Netto. E ele teria encaminhado a informação privilegiada à revista Época.

O presidente da Caixa, Jorge Mattoso, subordinado ao ministro Palocci, recusa-se a conceder entrevista. Faz uma semana que Palocci não despacha no Ministério da Fazenda. Desde que o jornal O Estado de S. Paulo publicou entrevista com Francenildo, o ministro refugiou-se em uma sala no terceiro andar do Palácio do Planalto, ao lado do gabinete de Lula. Usa entradas e elevadores privativos, evita contatos com a imprensa. Entra e sai pela garagem do subsolo, não deixa a sede do governo federal nem para almoçar. Seus assessores têm de se deslocar do Ministério da Fazenda ao Palácio do Planalto, para onde também são transferidas as ligações telefônicas ao ministro. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, critica a atenção “excessiva” ao caso de Francenildo.

A Polícia Civil de Minas Gerais indicia, por calúnia e difamação, o lobista Nilton Monteiro e o militante do PT, Luiz Fernando Carceroni. Ele é funcionário da Prefeitura de Belo Horizonte, sob comando do prefeito Fernando Pimentel (PT). Os dois são acusados de divulgar a chamada “lista de Furnas”, documento que traz uma relação de 156 políticos de 12 partidos que teriam recebido dinheiro ilegalmente. A lista foi considerada uma fraude. Monteiro havia dito que tinha em mãos o original do documento, mas nunca entregou nada à Polícia Federal. Carceroni é indiciado por distribuir pela internet cópias da lista fraudada.

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