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Cronologia da Crise:

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22/03/2006

A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, determina a suspensão da análise dos comprovantes de despesas ligadas ao presidente Lula. O trabalho vinha sendo feito pelo Senado. Os pagamentos foram efetuados com dinheiro retirado de contas acessadas por cartões coorporativos. Um técnico do TCU (Tribunal de Contas da União) chegou a verificar os arquivos da presidência da República durante 20 dias. Foi proibido de prosseguir com a apuração. A oposição suspeita de irregularidades. A Casa Civil justifica a medida, com a alegação de riscos para a segurança de Lula e de seus familiares.

A Câmara dos Deputados absolve o deputado João Magno (PT-MG), acusado de se beneficiar do esquema do mensalão. 201 parlamentares votam pela cassação do mandato, mas outros 207 decidem livrá-lo. A votação é secreta. O petista alegou que os R$ 426 mil recebidos do valerioduto foram usados integralmente em campanhas eleitorais.

Câmeras de televisão filmam a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) dançando entre as poltronas da Câmara, para comemorar a absolvição do colega. A deputada agita os braços e rebola. Arrisca passos de samba no meio do plenário. Ri o tempo todo. Dá um beijo em Magno. Está feliz da vida.

A cena é reprisada várias vezes nos telejornais. Causa indignação. Fica conhecida como a “dança da impunidade”. Ângela é afastada do Conselho de Ética da Câmara. O jornalista Marcos Augusto Gonçalves, da Folha de S.Paulo, escreve:

“A indecência celebratória da ‘caminhada mais saltitante’ (como a parlamentar definiu a coisa) ficará como um símbolo do ruidoso naufrágio de um partido que se apresentava à sociedade como guardião dos bons costumes e reformador da ‘política tradicional’.”

E mais:

“A bailarina deveria ser banida da política, assim como todos aqueles que, sustentados pela sociedade, fazem da vida pública um negócio sujo para ganhar projeção e dinheiro.”

A Câmara também absolve o deputado Wanderval Santos (PL-SP), acusado de envolvimento no esquema do mensalão. Pela cassação votam 242 parlamentares, 15 a menos que o número necessário. E 179 decidem absolvê-lo. Ele era acusado de “terceirizar” o mandato para a Igreja Universal do Reino de Deus, da qual foi bispo até o início do escândalo. Um assessor do deputado sacou R$ 150 mil do valerioduto, em agência do Banco Rural.

A princípio, Wanderval negou a retirada. Depois, negou ter dado a ordem para o saque. Responsabilizou o ex-deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ), o coordenador político da igreja. Rodrigues renunciou ao mandato para evitar possível cassação. Diz Wanderval:

– A verdade é que eu não sabia, não autorizei, não recebi e nem permiti que se recebesse qualquer valor do senhor Marcos Valério.

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