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Cronologia da Crise:

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30/03/2006

O Conselho de Ética da Câmara aprova, por 9 votos a 4, o pedido de cassação do mandato do deputado José Mentor (PT-SP), acusado de envolvimento no escândalo do mensalão. Ele recebeu R$ 120 mil de Rogério Tolentino, sócio de Marcos Valério, cujo indiciamento também foi solicitado pela CPI dos Correios, sob a acusação de falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Mentor procurou se defender dizendo que o dinheiro foi um pagamento por serviços de consultoria jurídica prestados a Tolentino. A tese não foi aceita. O deputado Nelson Trad (PMDB-MS), autor do parecer que pede a cassação de Mentor, comenta os tais serviços de consultoria usados como justificativa pelo deputado:

– São estudos genéricos, mais parecidos com trabalhos escolares do que com algo que vá servir a alguém, aparentemente sem utilidade prática.

O presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Paulo Okamotto, esconde-se para não ser intimado a participar de uma acareação com o economista Paulo de Tarso Venceslau, na CPI dos Bingos.

O escrivão José Bráulio Rodrigues, da Polícia Federal, chega à sede do Sebrae, em Brasília, para entregar a intimação a Okamotto. Na portaria, enfrenta a resistência dos funcionários, que procuram impedi-lo de subir à presidência. O escrivão tem que aguardar. Tempo precioso.

Quando finalmente chega ao local de trabalho de Okamotto, é informado de que o presidente do Sebrae está em viagem de trabalho e só retorna em uma semana. A intimação é recebida por uma secretária. Rodrigues vai embora, mas percebe que a funcionária não escrevera no protocolo a palavra “recebido”. Ao voltar, dá de cara com Okamotto retornando à sua sala. Estava lá o tempo todo.

Okamotto não sai do noticiário político. Venceslau relatou à Folha de S.Paulo que, em 1994, durante a campanha para a presidência da República, Okamotto, sempre muito próximo de Lula, resolveu um problema da filha do candidato, Lurian Cordeiro Lula da Silva. Ela teria saído de uma loja em São Paulo sem pagar pelos produtos que levara consigo. Venceslau contou à repórter Lílian Christofoletti:

– O Okamotto saiu correndo para pagar, ele tinha de tapar o buraco deixado por Lurian e evitar que a história vazasse.

Okamotto foi o tesoureiro da primeira campanha de Lula a presidente, em 1989. De acordo com a revista Veja, ele resolveu outro problema de Lurian, em 1996. Naquele ano, ela disputou e perdeu a eleição para vereadora em São Bernardo do Campo (SP). Okamotto pagou R$ 26 mil pelo aluguel do escritório político da filha de Lula. Lurian usou o espaço, mas não quitou a locação.

Depois de publicada a reportagem, Okamotto desligou-se da SRB Comércio, Importação e Exportação de Granitos, com sede em Mauá (SP). Ele se tornara sócio da empresa em junho de 2004, já no governo Lula, mediante o pagamento de uma cota de R$ 100 mil. Continuam em nome da mulher de Okamotto, Dalva, e da filha dele, Luciana, a Red Star, empresa que comercializa objetos do PT.

O jornal O Estado de S. Paulo mostrou a influência de Okamotto ao divulgar levantamento das CPIs dos Correios e dos Bingos. Houve 161 ligações telefônicas entre ele e expoentes do escândalo do mensalão, como José Dirceu, Delúbio Soares e Duda Mendonça, nos anos de 2001, 2002 e 2003.

A Folha de S.Paulo revelou que Okamotto contribuiu com R$ 24.840,00 para a campanha eleitoral do deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), em 2004. Conforme as explicações fornecidas à repórter Catia Seabra por Nelson Banhara, o tesoureiro da campanha de Vicentinho, o dinheiro foi repassado na forma de 54 mil etiquetas adesivas, sendo R$ 460,00 o custo de cada milhar.

Em entrevista à Rádio Bandeirantes, de São Paulo, Okamotto acaba desmentindo o assessor de Vicentinho. Revela que dera R$ 26 mil ou R$ 28 mil à campanha do deputado, em dinheiro. Procurado em seu gabinete em Brasília, Vicentinho não se manifesta.

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