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Cronologia da Crise:

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9/03/2006

Em depoimento à CPI dos Bingos, Benedito Antonio Valencise, delegado seccional da Polícia Civil de Ribeirão Preto (SP), afirma dispor de notas fiscais e planilhas frias para indiciar o ministro Antonio Palocci (PT-SP) por crimes de peculato, falsidade ideológica e formação de quadrilha. De acordo com o delegado, houve um acordo entre o ex-prefeito Palocci e o dono da empreiteira Leão Leão, por meio do qual o chefe do executivo municipal transmitia ordens para que a superintendente do Daerp (Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto), Isabel Bordini, fraudasse os serviços de limpeza pública. Diz Valencise:

– Tratava-se de um esquema muito grande, envolvendo muitas pessoas, impossível de ser mantido por funcionários subalternos.

Para o delegado, Palocci e seu sucessor, o prefeito Gilberto Maggioni (PT), receberam propina mensal de R$ 50 mil, além do repasse que definiu como “equilíbrio do contrato”, um mecanismo para fraudar os contratos de limpeza pública da cidade. O esquema serviu também para compensar os preços baixos que a Leão Leão apresentou para vencer a licitação e prestar os serviços:

– O que sabemos é que havia a operação três por um, uma parte relacionada a gastos pelo trabalho efetivado e outra que pagava as notas falsas por tarefas não realizadas.

O delegado Valencise caracteriza Isabel Bordini como uma mera operadora do prefeito:

– Segundo consta no inquérito, a ordem vinha do prefeito. Era um acordo feito entre ele e o proprietário da empresa. Em seguida essa ordem era repassada pelo prefeito a Isabel, e ela a cumpria.

E mais:

– Na apuração, comprovou-se que a documentação com o relatório de trabalho realizado pela empresa diariamente já chegava pronta ao Daerp, e não coincidia com os dados da fiscalização do Daerp, que eram bem menores. Entretanto, os funcionários do Daerp eram obrigados a fazer uma nova planilha, devidamente falsificada, que era essa ordem de serviço que cobria e justificava as saídas a mais dos valores em reais.

Em depoimento ao juiz Luiz Fernando Prestes, de Itapecerica da Serra (SP), Karina Araújo de Oliveira reforça indícios sobre a participação do empresário e ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sérgio Sombra, no assassinato do prefeito Celso Daniel (PT). Sombra teria ligação com uma quadrilha da favela Pantanal. Conhecia Dionísio Severo, que afirmou à polícia ser amigo de Sombra e já ter namorado a ex-mulher dele.

Severo foi resgatado de helicóptero de um presídio em São Paulo, um dia antes do seqüestro de Daniel. Recapturado, acabou morto uma semana depois. No depoimento, Karina diz que deu abrigo, entre outros, a um filho de Severo. E, a pedido do marido dela, anotou o telefone de um dos presos que teriam participado da ação, da favela Pantanal. Declaração do promotor Amaro Tomé Filho à repórter Lílian Christofoletti, da Folha de S.Paulo:

– Quando Karina, que tinha uma ligação com Dionísio Severo, afirma que anotou um recado de um dos homens da favela Pantanal, ela mostra que os dois lados não só se conheciam como reforça a nossa convicção de que trabalharam juntos no seqüestro e no assassinato do prefeito.

O juiz Prestes toma o depoimento de uma tia e duas primas de Severo. Uma das testemunhas diz ter ouvido Severo mencionar os “três tombos”, local da zona Sul de São Paulo onde Daniel foi seqüestrado. Uma outra afirmou que Severo disse numa ligação telefônica já estar “pronto para rodar o CD”, o que seria uma menção a Celso Daniel.

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados entra em crise após a absolvição dos deputados mensaleiros Roberto Brant (PFL-MG) e Professor Luizinho (PT-SP), ocorrida na véspera. Inconformado com o resultado da votação, o deputado Colbert Martins (PPS-BA), suplente, anuncia o seu afastamento do órgão. Faz o mesmo o deputado Edmar Moreira (PFL-MG), relator do processo de cassação do deputado José Mentor (PT-SP).

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