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Cronologia da Crise:

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13/04/2006

Em O Estado de S. Paulo, o editorial “Um libelo arrasador” comenta a denúncia elaborada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Para o jornal, Lula é o “beneficiário por excelência da corrupção em escala inédita promovida pelo PT”. O editorial responsabiliza o presidente, por ser “impossível imaginar que não tivesse conhecimento”:

“O que torna absolutamente críveis as conclusões do trabalho, além da manifesta isenção do seu autor, é a consistência da análise da engrenagem por trás dos crimes perpetrados, com o entrelaçamento dos ramos político-partidário, publicitário e financeiro da quadrilha. Mas a denúncia convence acima de tudo por sua irrepreensível objetividade. É o que a distingue do relatório final da CPI dos Correios. Este, embora também tenha comprovado a prática do mensalão, foi uma conta de chegar, como costumam ser os resultados das investigações parlamentares, produto ao mesmo tempo de fatos apurados e pressões, ou negociações, políticas.”

“Nada remotamente parecido com isso influenciou o inquérito dirigido pelo procurador-geral. A independência e a seriedade com que agiu transparecem na simplicidade do seu texto, desprovido dos contorcionismos verbais ou do estilo barroco presentes no documento da CPI. Com sujeitos, verbos e predicados em ordem direta, Antonio Fernando Souza dispensa eufemismos e chama as coisas pelos nomes – a começar do mais arrasador deles, ‘quadrilha’. Está lá: ‘compra (pelo PT) de suporte político de outros partidos’ e ‘financiamento irregular de campanhas’.”

O ex-ministro José Dirceu (PT-SP) usou jatinho particular para se deslocar de São Paulo a Juiz de Fora (MG), a fim de conversar com o ex-presidente Itamar Franco (PMDB-MG). A notícia está no jornal O Globo. Dirceu não gostou de ser flagrado num Citation com capacidade para sete pessoas, alugado por R$ 14.500,00:

– Sou um cidadão comum. Trabalho agora para a iniciativa privada. Sou advogado, tenho clientes e faço consultorias. Será que vou ter de explicar se vou a um restaurante ou compro uma roupa? Se eu aluguei, é porque eu posso.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), autor do processo que recomendou ao Conselho de Ética a cassação de Dirceu, está convicto de que o ex-deputado não foi contratado para prestar serviços advocatícios a Itamar. O encontro dos dois teve motivação unicamente política, a de sondar Itamar para ser o candidato a vice-presidente na chapa da reeleição de Lula. Diz Delgado:

– É no mínimo estranho uma pessoa que saiu logo após o processo afirmando que iria escrever para se sustentar porque estava quebrado e, mesmo sem o livro, o que se viu foi uma seqüência de viagens e um estilo de vida que não se sabe de onde vem a sustentação para fazê-lo.

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