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Cronologia da Crise:

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18/04/2006

Em depoimento à Polícia Federal, a jornalista Helena Chagas, diretora da sucursal do jornal O Globo em Brasília, desmente Antonio Palocci (PT-SP). Ela nega ter dito ao ex-ministro que Francenildo Costa recebera quantia significativa em dinheiro.

Helena recebeu telefonema de Palocci na tarde de 15 de março, na véspera do dia da violação do sigilo bancário. Segundo ela, o então ministro informou que o senador Tião Viana (PT-AC) lhe dera a informação sobre o suposto dinheiro de Francenildo. Em depoimento à Polícia Federal, Palocci havia dito que Helena comentara com ele que o caseiro “tinha um bom dinheiro”.

A jornalista mora ao lado da “casa dos prazeres”. Ouviu de seu jardineiro, Leonardo Moura, que Francenildo teria recebido dinheiro. Ela comentou o assunto com Viana. Só. Em depoimento à Polícia Federal, Moura confirma a história. Conta que o caseiro voltou das férias em janeiro dizendo que o pai havia lhe dado uma quantia, com o qual pretendia comprar um terreno nos arredores de Brasília. Ao ver a fotografia de Francenildo nos jornais, Moura relatou o que ouvira a Helena.

Fica a impressão de que Viana e Palocci se fixaram no “dinheiro” de Francenildo, com a suposição de que ele havia sido subornado pela oposição. Em conseqüência, houve a quebra do sigilo bancário. Acharam que, ao desqualificar o caseiro, ficavam automaticamente desqualificadas as denúncias sobre o que ocorria na “casa dos prazeres”. Erraram. Pagaram caro.

A Polícia Civil conclui levantamento sobre os serviços fraudulentos de varrição em Ribeirão Preto (SP). Entre 2001 e 2004, o esquema provocou prejuízos, em valores atualizados, de R$ 30,7 milhões. O dinheiro público foi repassado pelas administrações dos prefeitos Antonio Palocci (PT) e Gilberto Maggioni (PT) à empreiteira Leão Leão, mediante medições falsas.

Foram identificadas 174 notas fiscais frias das empresas Twister e Raf Brás. Seriam para simular compras de solvente pela Leão Leão, no valor de R$ 5 milhões. Os donos da transportadora Euclides Renato Garbuio, de Rio Claro (SP), negaram a entrega do solvente. A compra fictícia servia para justificar a devolução de parte do dinheiro ao esquema Palocci.

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