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Cronologia da Crise:

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2/04/2006

A Folha de S.Paulo publica novas histórias envolvendo os próceres da “república de Ribeirão Preto”. Descreve que o empresário Roberto Carlos Kurzweil pagou as despesas do helicóptero que levou o então prefeito de Ribeirão Preto (SP), Antonio Palocci (PT), a Angra dos Reis (RJ). A viagem ocorreu em novembro de 2002, logo após a eleição de Lula. Palocci foi um dos coordenadores da campanha de Lula.

Em Angra, Palocci ficou numa casa com seis suítes, cuja diária é de R$ 2 mil. De acordo com o repórter Mario Cesar Carvalho, Palocci voltou à mesma casa, um ano depois, quando já era ministro da Fazenda. Novamente a convite do empresário Kurzweil, que possui residência no mesmo condomínio.

Kurzweil foi um dos freqüentadores da “casa dos prazeres”, o estopim da queda de Palocci. Em 1995, assinou contrato para que sua empresa, a Rek, fizesse o tratamento do esgoto de Ribeirão. O negócio deverá render R$ 400 milhões em 15 anos.

O helicóptero que transportou Palocci a Angra, avaliado em US$ 1,5 milhão, pertence aos angolanos Artur José Valente Caio e José Paulo Teixeira Figueiredo. Lembre-se que os dois têm ligações com casas de bingo e teriam doado R$ 1 milhão para a campanha de Lula em 2002. Palavras do advogado Rogério Buratti. O mesmo Buratti, aliás, seria sócio dos angolanos, na empresa de telecomunicações Cinco Telecom. Da mesma forma que Kurzweil.

A primeira viagem a Angra, para comemorar a vitória de Lula, reuniu na cidade do litoral fluminense Palocci, a mulher e a filha, Ademirson Ariosvaldo da Silva, que seria nomeado secretário particular do ministro da Fazenda, e Donizete Rosa, outro fiel assessor do então prefeito de Ribeirão, também futuro dono de um cargo importante no governo Lula. Rosa estava acompanhado da mulher, Isabel Bordini, acusada de envolvimento nas planilhas fraudulentas que serviram para desviar dinheiro dos contratos de limpeza pública em Ribeirão. Por fim, participou da festa Ralf Barquete, o poderoso secretário da Fazenda de Palocci em Ribeirão.

Na segunda viagem, em 2003, já ministro, Palocci foi mais reservado. Acompanharam-no a mulher e a filha, além da família de um amigo muito especial: Buratti, sua mulher e os três filhos do casal. O mesmo Buratti com quem Palocci negou manter maiores relações, desde que fora afastado da secretaria de Governo de Ribeirão, ainda no primeiro mandato de Palocci, num rumoroso caso de corrupção. O empresário Kurzweil e a família também estavam em Angra.

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