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Cronologia da Crise:

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4/04/2006

O ex-ministro Antonio Palocci (PT-SP) presta depoimento à Polícia Federal e é indiciado por crime de quebra de sigilo bancário e por violação de sigilo funcional. Palocci afirma aos federais que o ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, esteve em sua casa em 16 de março, mas não para entregar cópias dos extratos bancários do caseiro Francenildo Costa. Foi lá com a finalidade de tratar da abertura de escritórios da Caixa no Japão e nos Estados Unidos.

Palocci tenta encobrir que Mattoso chegou à sua casa às 23 horas daquela noite, e lá ficou por apenas cinco minutos. Esteve lá apenas para lhe entregar os documentos bancários obtidos mediante o crime de violação do sigilo.

O ex-ministro confessa, no entanto, que recebeu os dados dos extratos. E o que fez? Obviamente, nenhuma ilicitude. Tratou de triturar toda a documentação, no dia seguinte.

Em acareação promovida pela CPI dos Bingos, Paulo Okamotto nega ter cometido qualquer irregularidade. Amparado por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), recusa-se a abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico.

O economista Paulo de Tarso Venceslau, com quem Okamotto ficou cara-a-cara, afirma que Okamotto foi sócio da TVT (Televisão dos Trabalhadores) com Lula, José Dirceu, Luiz Gushiken e Delúbio Soares. A TVT foi usada como produtora na campanha presidencial de Lula, em 1989. Em 1995, a então prefeita de São José dos Campos, Ângela Guadagnin (PT), contratou agência de publicidade por R$ 5,8 milhões. A TVT foi subcontratada.

O Conselho de Ética da Câmara aprova, por 10 votos a 1, o processo de cassação do mandato do deputado Josias Gomes (PT-BA). Ele é acusado de sacar pessoalmente R$ 100 mil das contas de Marcos Valério. Chegou a deixar cópia da própria carteira de parlamentar na agência do Banco Rural no Brasília Shopping. Defesa de Josias:

– Eu conhecia o Delúbio havia 25 anos. Nunca imaginei que ele me deixaria nessa situação.

O dinheiro, claro, foi usado como caixa 2, apenas para pagar dívidas de campanha.

No lançamento de uma campanha de combate à corrupção eleitoral, Cesar Asfor Rocha, corregedor-geral do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), afirma que a origem do caixa 2 está sempre ligada a recursos públicos. Combatê-lo significa atacar a criminalidade, pois assim se evita sonegação, fraudes, falsificações e o abuso do poder econômico. Diz o corregedor:

– O que é o caixa 2? No mínimo é sonegação. Se uma pessoa não pode revelar de onde vem toda a despesa que efetua é porque não tem lastro, não tem recursos com origem legítima, legal ou comprovada que possa ser mostrada ou que possa compatibilizar com aquela receita. É, efetivamente, coisa de bandido, porque é fruto de sonegação.

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