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Cronologia da Crise:

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5/04/2006

A base do governo Lula na Câmara dos Deputados não consegue impedir a aprovação do relatório final da CPI dos Correios. Perde por 14 votos a 7. Não surtem resultados os esforços para introduzir mudanças no documento, com a finalidade de contestar a tese da existência do mensalão. Deputados petistas são igualmente derrotados ao procurar enxugar a lista dos denunciados. Tentam interromper a votação. Em vão. No final, contentam-se em protocolar um recurso na Mesa da Câmara, pedindo a anulação da votação. A medida é inócua. O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), autor do relatório, é carregado por parlamentares de oposição. A sessão vira uma festa.

A Câmara dos Deputados absolve, por 256 votos a 209, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), acusado de envolvimento no escândalo do mensalão. Ele é o oitavo deputado que recebeu dinheiro do valerioduto e do caixa 2 do PT a se livrar da cassação. Foi beneficiado pelo expediente do voto secreto.

Cunha mandou a mulher, Márcia Milanésio, buscar R$ 50 mil na agência do Banco Rural do Brasília Shopping. Foi em setembro de 2004. Na época, exercia o cargo de presidente da Câmara dos Deputados. No início, negou o saque. Depois, disse que o dinheiro foi usado para pagar pesquisas eleitorais. Cunha defendeu-se:

– Eu estava convicto de que o dinheiro vinha dos cofres do PT. Não peguei dinheiro escuso, de origem indeterminada, peguei na tesouraria do PT.

Errado. Pegou, ou melhor, mandou a mulher pegar o dinheiro, fora do horário bancário para não ser vista, na agência do Banco Rural. E só admitiu o recebimento da grana porque não colou a lorota de que Márcia Milanésio foi à agência resolver problemas com a fatura da televisão a cabo. Foi essa a explicação que ele deu a princípio, para justificar a presença da mulher nas dependências do Banco Rural. Após ser desmascarado, saiu-se com a desculpa de que o dinheiro de caixa 2 foi usado na campanha eleitoral.

Declaração do deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS), o relator que pediu a cassação de Cunha, num processo aprovado pelo Conselho de Ética da Câmara:

– O padrão ético da maioria do plenário está bem abaixo das expectativas. Ele pegou o dinheiro do Marcos Valério, mentiu e fez um contrato lesivo ao patrimônio da Câmara, com o mesmo Valério.

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