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Cronologia da Crise:

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8/04/2006

A revista Veja traz informações sobre o encontro de 23 de março na casa de Antonio Palocci (PT-SP). Reuniram-se com o ex-ministro, naquela tarde, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, e o advogado criminalista Arnaldo Malheiros Filho, trazido por Bastos. Veja classifica o encontro como uma conspiração para encobrir o crime de violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

O ponto nevrálgico da discussão, segundo os repórteres Marcelo Carneiro, Giuliano Guandalini, Thaís Oyama e Victor Martinho, que reconstituíram os acontecimentos: por R$ 1 milhão, arrumar quem assumisse a responsabilidade pela quebra do sigilo.

De acordo com Veja, a tarefa de arregimentar candidatos à bolada foi atribuída a Carlos Augusto Borges, vice-presidente da Caixa. Ele é um sindicalista histórico, homem de confiança de Lula. Foi nomeado para o cargo, aliás, por decisão do presidente. Grave. A revista também afirma que outra vice-presidente da Caixa, Clarice Coppetti, teria aceitado a missão, ou melhor, o suborno. Mas foi identificado um problema: ela é casada com Cesar Alvarez, assessor especial da presidência da República. Novamente, tudo muito próximo de Lula. A lambança não prosperou. Diz Veja:

“A participação do ministro da Justiça na farsa só contribui para acelerar a espiral de incerteza em que se afunda o governo Lula. No momento, é impossível afirmar até onde vai a cadeia de comando dessa sucessão de crimes.”

A Folha de S.Paulo agrega informações importantes aos acontecimentos de 23 de março. Em matéria assinada pelos repórteres Kennedy Alencar, Eliane Cantanhêde e Marta Salomon, o jornal afirma que, naquela mesma tarde, Bastos e Palocci reuniram-se com Lula. Enquanto isso, Mattoso e Malheiros seguiram para encontro com altos funcionários da Caixa. Estavam lá Clarice Copetti, Ricardo Schumann e o chefe de gabinete de Mattoso, Philppe Torelly. A reportagem afirma:

“A tentativa de suborno realmente aconteceu, segundo disseram à Folha dois funcionários que participaram do acesso aos dados bancários do caseiro.”

O jornal O Estado de S. Paulo publica trechos de depoimento da então prefeita de São José dos Campos (SP), Ângela Guadagnin (PT). Ela desmentiu, nove anos atrás, a versão de que Paulo Okamotto jamais assediou administrações municipais petistas, para obter dinheiro e engordar o caixa 2 do PT. Ângela foi ouvida por uma comissão do PT, depois de acusação de Paulo de Tarso Venceslau. Ex-secretário de Finanças do governo de Ângela em São José, Venceslau disse que a Cpem (Consultoria para Empresas e Municípios), empresa ligada ao advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, vendia serviços a prefeituras petistas e, em troca, recheava os cofres do partido com dinheiro de caixa 2.

Em 7 de junho de 1997, Ângela admitiu que Okamotto solicitou uma lista de fornecedores da cidade, com vistas a arrumar contribuições para o PT. O testemunho dela, porém, por decisão do presidente do partido na época, o ex-deputado José Dirceu, não provocou maiores conseqüências. Trecho gravado:

– Ângela, deixa eu perguntar uma coisa. Falando do Paulo Okamotto, ele em algum momento procurou você, falando de fornecedores, querendo saber de fornecedores da Prefeitura para fins de captação de recursos para o partido?

– Procurou.

– E ele queria saber o quê? – Exatamente quais ele poderia procurar para ver se podiam estar ajudando, coisa assim.

– Ele perguntou a relação de fornecedores da Prefeitura para que ele procurasse, para ajudar financeiramente o partido, é isso?

– Sim.

– Ele procurou?

– Sim.

Agora, um trecho do depoimento do próprio Okamotto à comissão, no qual ele mesmo descreve como fazia as abordagens:

– Você está contente com essa política, quer que essa política continue, ganhe, está a fim de contribuir para isso? Então nós vamos pedir para o nosso cara de finanças procurá-lo, tudo bem?

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