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Cronologia da Crise:

Maio de 2006

3.05.2006

O garçom Anderson Ângelo Gonçalves, o Jack, presta depoimento à CPI dos Bingos. Ele menciona o nome do empresário angolano José Paulo Teixeira Figueiredo, no caso do assassinato de Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, ex-prefeito de Campinas (SP). Toninho foi morto a tiros em 10 de setembro de 2001. Figueiredo, empresário do jogo e apontado como dono de casas de bingo, é investigado por ligações com Antonio Palocci (PT-SP). Ele teria doado US$ 1 milhão para a campanha de Lula em 2002, conforme informações de Rogério Buratti.

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4.05.2006

Toma posse o novo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Marco Aurélio Mello. Ele critica o que chama de “projeto de alcançar o poder de forma ilimitada e duradoura”. Do pronunciamento de Mello:

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7.05.2006

O jornal O Globo publica entrevista-bomba com Silvio Pereira, o alto dirigente do PT que ocupava o cargo de secretário-geral do partido. Foi afastado quando ficou público que aceitara de presente um jipe importado Land Rover, do dono de uma empresa contratada pela Petrobrás. Agora, Silvinho denuncia um plano para faturar R$ 1 bilhão e afirma, sem titubear: quem mandava no PT “eram Lula, Genoino, Mercadante e Zé Dirceu”.

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8.05.2006

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) decide encaminhar à Procuradoria-Geral da República notícia-crime contra Lula. Quer a investigação do presidente por envolvimento no escândalo do mensalão. Para a OAB, há indícios de participação de Lula em crimes de corrupção.

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10.05.2006

A CPI dos Bingos debate documento em poder da Justiça dos Estados Unidos. Nele consta que o PT tentou extorquir “dezenas de milhões de dólares” do grupo Opportunity. O ofício foi enviado ao juiz Lewis A. Kaplan, de Nova York, pelo escritório de advocacia Bóies, Schiller Flexner, contratado para defender nos Estados Unidos o banqueiro Daniel Dantas, controlador do Opportunity. O documento, de 13 de abril de 2005, é assinado pelo advogado Philip C. Korologos:

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11.05.2006

Em depoimento ao Ministério Público Federal, Silvio Pereira afirma que o apetite por cargos do ex-ministro José Dirceu (PT-SP) foi o responsável pela desagregação da base aliada do governo federal. De acordo com o ex-secretário-geral do PT, o comportamento de Dirceu provocou insatisfação nos partidos que apoiavam o presidente Lula.

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12.05.2006

Um ano depois do início da crise política, a ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), o estopim do escândalo do mensalão, “comemora” o aniversário com a prorrogação dos contratos das empresas Skymaster Airlines e Beta (Brazilian Express Transportes Aéreos). As duas são acusadas de montar um esquema fraudulento que teria provocado um rombo de R$ 86 milhões. A renovação dos contratos para operar as linhas da chamada rede postal aérea noturna prevê gastos de R$ 90 milhões.

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13.05.2006

A revista Veja publica reportagem com informações atribuídas a Daniel Dantas. O banqueiro teria em mãos uma relação de cardeais do PT com dinheiro escondido em paraísos fiscais. São os seguintes: Lula (com US$ 38,5 mil), José Dirceu (US$ 36,2 mil), Antonio Palocci (US$ 2,1 milhões) e Luiz Gushiken (E$ 902 mil). Também fazem parte da lista Márcio Thomaz Bastos (US$ 1,4 milhão), o diretor da Polícia Federal Paulo Lacerda (E$ 1,1 milhão), e o senador (PFL-SP) Romeu Tuma (E$ 1,1 milhão).

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15.05.2006

A Folha de S.Paulo revela: o Instituto Cidadania, criado por Lula em 1992, recebeu doações de ao menos R$ 2,5 milhões, em três anos do governo Lula. A entidade, com sede em São Paulo, funcionou como escritório de Lula durante cerca de dez anos. Até 2002, o orçamento do Instituto Cidadania girava em torno dos R$ 350 mil por ano.

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16.05.2006

Lenha na fogueira. O jornal O Estado de S. Paulo entrevista Carlos Rodenburg, ex-diretor do grupo Opportunity. Ele afirma à repórter Sonia Racy que sentiu “uma pressão para ajudar o partido”, durante encontro mantido com o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Sem usar a expressão “extorsão”, Rodenburg descreve que Delúbio, em nome de um esforço para melhorar a relação entre o Opportunity e o governo Lula, explicou as dificuldades do PT e mencionou um “furo” de US$ 40 milhões a US$ 50 milhões nas finanças do partido.

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17.05.2006

O Ministério Público denuncia o empresário e ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sérgio Sombra, o ex-secretário da Prefeitura de Santo André (SP) e ex-vereador Klinger Luiz de Oliveira (PT), o ex-superintendente da Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental) Maurício Mindrisz e o empresário Ronan Maria Pinto, cujas empresas mantinham negócios com o município. Todos são acusados por crimes de formação de quadrilha, fraude e dispensa ilegal de licitação.

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18.05.2006

A Polícia Federal apreende computadores e documentos no escritório do deputado José Janene (PP-PR), acusado de envolvimento no escândalo do mensalão. Suspeita-se que pessoas ligadas a Janene tenham sido beneficiárias de R$ 5,3 milhões do valerioduto. Meheidin Hussein Jenani, primo e assessor do deputado, movimentou R$ 295 mil em agência da Caixa Econômica Federal de Londrina (PR). O salário dele é de R$ 1.834,00. A maior parte dos depósitos nas contas de pessoas ligadas a Janene ocorreu entre 2003 e 2005, período em que vigoraram as transferências e repasses do caixa 2 do PT.

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19.05.2006

Delúbio Soares pede habeas-corpus ao STF (Supremo Tribunal Federal). Não quer prestar depoimento à CPI dos Bingos. A comissão pretende ouvi-lo sobre supostas tentativas de achaque ao banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity. Se for obrigado pelo STF a comparecer à sessão, o ex-tesoureiro solicita, desde já, autorização para ficar em silêncio e evitar certas perguntas, toda vez que as respostas puderem implicar a auto-incriminação.

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20.05.2006

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, reuniu-se em segredo com o banqueiro Daniel Dantas. A notícia está em Veja. O grave é que Dantas acusou Bastos de ter dinheiro guardado no exterior, não declarado, conforme a revista mostrou na edição anterior. De acordo com o repórter Marcio Aith, “Bastos deveria esforçar-se para prender o banqueiro, e não se sentar à mesa com ele para tratar de negócios”.

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23.05.2006

Delúbio Soares depõe à CPI dos Bingos. Recusa-se a assinar termo comprometendo-se a dizer a verdade, mas admite a participação em reunião com o banqueiro Daniel Dantas e o diretor do Opportunity, Carlos Rodenburg. Estava acompanhado de Marcos Valério. Foi em 22 de julho de 2003, no hotel Blue Tree, em Brasília. O encontro foi a pedido de Valério. O ex-tesoureiro negou que a reunião serviu para exigir dinheiro. Diz Delúbio:

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24.05.2006

A Câmara absolve o 11º acusado de envolvimento no escândalo do mensalão. Livra-se da cassação o deputado Vadão Gomes (PP-SP). Em votação secreta, Vadão recebe 243 votos em sua defesa, contra 161 a favor da perda do mandato. Há 16 abstenções, quatro votos em branco e um nulo. Vadão foi acusado de receber R$ 3,7 milhões do caixa 2 do PT. O Conselho de Ética aprovou parecer, inocentando-o. O autor foi o deputado Eduardo Valverde (PT-RO). Diz Valverde:

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25.05.2006

A Folha de S.Paulo revela novos detalhes do depoimento prestado pelo ex-secretário de Habitação de Mauá (SP) ao Ministério Público, em 9 de fevereiro de 2006. Altivo Ovando Júnior também implicou Lula no esquema de arrecadação de propina do PT. Altivo foi secretário do ex-prefeito Oswaldo Dias (PT), de 1997 a 2000. Os fatos narrados por ele agora teriam ocorrido durante a campanha eleitoral para a presidência da República, em 1998. Lula era candidato. Queria dinheiro para financiar a sua eleição. Do depoimento de Altivo:

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28.05.2006

Relatório da CGU (Controladoria-Geral da União) mostra graves irregularidades em prefeituras de todo o país. Há um quadro de corrupção generalizado, por meio de licitações manipuladas, notas fiscais falsas, contratos direcionados e toda a sorte de falcatruas. Mais um retrato da era Lula. O levantamento está no jornal O Estado de S. Paulo. Conclui que 77% das prefeituras têm esquemas de desvio de dinheiro público.

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29.05.2006

A Justiça Federal determina o seqüestro dos bens e o bloqueio de ativos financeiros da mulher do deputado José Janene (PP-PR), acusado de envolvimento no escândalo do mensalão. Stael Fernanda tem salário declarado de R$ 5.000,00 como assessora do marido, mas desde 2003 teria adquirido patrimônio superior a R$ 2 milhões. A ação também atinge Mehedin Hussein Jenani e a mulher dele, Rosa Alice Valente, ambos assessores de Janene.

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